quarta-feira, 22 de junho de 2016

Entenda o que está acontecendo em Oaxaca - Mexico



O Estado de Oaxaca, México, vive dias de insurreição pacífica e organização popular. Em contrapartida, também é o cenário de um estado de violência e repressão política, que já resultou em muitos feridos e mortos.

O início deste processo data de 22 de maio, durante manifestações de professores que exigiam aumentos salariais, entre elas uma marcha de 70 mil pessoas. Em resposta à reivindicação da categoria, o governador Ulises Ruiz adotou a tática da repressão contra os professores, causando imensa indignação no povo de Oaxaca. Camponeses e indígenas aderiram aos protestos e formaram a Assembléia Popular dos Povos de Oaxaca (APPO), exigindo a destituição de Ulises.

E não parou por aí, a APPO reivindica que Oaxaca seja gerida pelo próprio povo, através de assembléias populares. A repressão só aumenta a cada dia, tendo assassinado muitas pessoas, entre elas Brad Will, jornalista do Centro de Mídia Independente (CMI). O presidente mexicano Vicente Fox e o governador Ulises Ruiz estão dispostos a acabar com o movimento popular de Oaxaca com mais violência, enviando soldados para o Estado.

 Existem barricadas que não se apagam, as que ardem com o coração << 10 anos de território rebelde - Arte de Gran OM & El Dante



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Estos son los niños de Oaxaca.
Esto nunca lo veremos en televisión nacional.
Após horas de confronto pelas ruas de diversas cidades do Estado de Oaxaca, no Sul do México, neste último dia 19 de junho, dados finais da Coordenação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) afirmam que sete professores e um estudante secundarista foram assassinados por tropas especiais da Polícia Federal mexicana, sob as ordens do presidente Enrique Peña Nieto. Um jornalista também foi morto a tiros, aparentemente por uma pessoa que se aproveitou do clima de guerra civil para praticar um assalto, morte que também deve ser creditada à repressão das forças policiais.

Além dos mortos, 45 pessoas foram feridas a bala e há 22 desaparecidos, que a Polícia alega estarem presos. No final da manhã, a Polícia furou as barricadas de pneus e veículos queimados e utilizou sprays, bombas e armas de fogo para massacrar os manifestantes. Segundo a CNTE, os mortos são: Óscar Aguilar Ramírez, 25 anos; Andrés Sanabria García, 23; Anselmo Cruz Aquino, 33; Yalid Jiménez Santiago, 29 (vereador na cidade de Santa María Apasco); Óscar Nicolás Santiago; Omar González Santiago, 22; Antonio Pérez García (estudante secundarista) e Jesús Cadena Sánchez, 19.

Os professores de Oaxaca, organizados pela seção 22 da CNTE, realizam com mais radicalidade uma jornada de manifestações em resistência à Reforma Educacional que o Governo Federal tenta impôr há alguns anos. No último dia 17 de junho, durante um ato na cidade de Tehuacán, o professor Teotitlán de Flores Magón, representante desta seção sindical, afirmou ao jornal La Jornada de Oriente que o governo de Enrique Peña Nieto “pretendia massacrar os professores da localidade por serem os que, com mais determinação, opõem-se à Reforma Educativa”.

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