sábado, 18 de junho de 2016

O ataque homofóbico em Orlando e o cenário eleitoral nos EUA


A semana de encerramento das primárias eleitorais nos EUA começou com um crime de ódio na cidade de Orlando, onde um atirador, o nova-iorquino Omar Mateen, matou 49 pessoas e feriu 53 numa boate LGBT, frequentada majoritariamente pela comunidade latina. O atirador era um cidadão estadunidense, nunca saiu do país e foi treinado como funcionário de uma das maiores multinacionais de segurança privada do mundo – a brit...
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A semana de encerramento das primárias eleitorais nos EUA começou com um crime de ódio na cidade de Orlando, onde um atirador, o nova-iorquino Omar Mateen, matou 49 pessoas e feriu 53 numa boate LGBT, frequentada majoritariamente pela comunidade latina.  O atirador era um cidadão estadunidense, nunca saiu do país e foi treinado como funcionário de uma das maiores multinacionais de segurança privada do mundo – a britânica G4S, presente em mais de cem países, com funções que vão desde a administração de prisões privatizadas à prestação de serviços terceirizados para as intervenções militares dos EUA no exterior. Apesar disto, prontamente vários veículos de imprensa começaram a reportar o caso com um atentado terrorista, com especulações sobre as motivações religiosas e a ascendência afegã do criminoso, com base em supostas declarações de identificação com o Estado Islâmico por parte do atirador.
Na mesma velocidade, o pré-candidato republicano, Donald Trump, se pronunciou sobre o episódio, reforçando seu discurso de preconceito com a promessa de restringir a entrada de imigrantes e refugiados no país. Trump ainda acusou Obama, com insinuações de cumplicidade com o terrorismo, e tentou acenar para o público LGBT, acusando a pré-candidata democrata, Hillary Clinton, de permitir a “entrada de radicais que escravizam mulheres e assassinam gays” e de receber recursos da Arábia Saudita para a Fundação dos Clinton nos anos 90. Apesar da tentativa de ligar o crime ao “radicalismo islâmico” e da existência de agrupações LGBT minoritárias dentro do Partido Republicano, a própria sigla tem passado por uma crescente radicalização de sua plataforma política, com fortes elementos religiosos contra o casamento homoafetivo, contra o aborto, entre outras pautas conservadoras.
O discurso de Clinton, por sua vez, foi mais cuidadoso, destacou os elementos de homofobia e da venda irrestrita de armas, mas não deixou de reforçar a narrativa dominante ao descrever o episódio como um “ato de terror de ódio” e de prometer medidas para melhorar a “segurança externa e interna”, com mais bombardeios contra o Estado Islâmico, maior cooperação com os aliados e maior controles de armas. A proposta de dificultar o acesso a armamentos, com regras mais rígidas para a checagem de antecedentes e para o porte de armas, já foi lançada por Obama no ano passado, mas encontra dificuldades frente ao poderoso lobby do setor.
Neste cenário, a reta final da pré-campanha, rumo às convenções partidárias de julho, deve seguir pautada pela tentativa dos candidatos de capitalizar sobre os diversos aspectos do massacre em Orlando.
 

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