Os grandes jornais brasileiros se dividem quanto às manchetes principais, abordando temas diversos, que vão da revisão do Caged do número de empregos no ano passado, com saldo de vagas abertas no Brasil recuando de quase 142,7 mil para 75,9 mil, passando pelo leilão de 5G até a baixa participação de estrangeiros no mercado nacional para aquisição de empresas.
No noticiário internacional, duas notícias relevantes: a vice-presidenta da Argentina, Cristina Kirchner, foi internada agora pela manhã para uma histerectomia, e a crise que derruba a imagem de Boris Johnson — leia em Internacional. A cobertura da Cop26 continua forte na imprensa estrangeira, mas sem novas críticas à posição do Brasil.
Eis as principais manchetes brasileiras nesta quinta-feira, 4 de novembro — Folha: Total de empregos criados em 2020 cai à metade com revisão. Estadão: Leilão de R$ 50 bi do 5G ditará o futuro da tecnologia no país. O Globo: Câmara aprova mecanismo para financiar auxílio em 2022. Valor: Diminui a participação de estrangeiros em aquisições. E El País (Brasil): Com dois anos e meio de atraso, Brasil começa o leilão de tecnologia 5G.
A notícia mais importante do dia, contudo, é a manchete principal do Globo: Câmara aprova mecanismo para financiar auxílio em 2022.
A manobra de Arthur Lira (PP-AL) para ajudar o governo, levou à
derrubada do teto de gastos e garante nada menos que R$ 95 bilhões para
Jair Bolsonaro gastar como quiser em ano eleitoral. Uma farra. O calote
do governo teve o apoio de deputados do PDT. A votação final pode
acontecer ainda hoje.
Nos onlines agora pela manhã, a decisão do PDT teve repercussão imediata com o anúncio de Ciro Gomes suspendendo a sua pré-candidatura à Presidência.
Partido deu 15 votos pela aprovação do projeto do governo federal que
posterga pagamento de dívidas e abre espaço no orçamento para pagamento
do Auxílio Brasil de R$ 400. A decisão da Câmara terá repercussão nos
mercados financeiros, com efeito negativo sobre a bolsa.
A Folha destaca que a PEC dos Precatórios deve ser considerada inconstitucional, mas decisão pode demorar anos.
Comissão da OAB Nacional aponta 30 violações constitucionais e vê
problema para próximo governante. A chamada PEC do Calote ataca duas
cláusulas pétreas da Constituição — separação dos Poderes e direitos e
garantias individuais — e possui mais de 30 violações constitucionais. Merval Pereira engrossa o coro dos críticos, no Globo: PEC dos Precatórios é uma afronta ao Estado de Direito.
Ainda na política, Folha informa que o presidente do Senado, Rodrigo
Pacheco (PSD-MG), anuncia mutirão e eleva pressão contra o senador Davi
Alcolumbre (DEM-AP), presidente da CCJ, para pautar a sabatina de André
Mendonça para vaga no STF. Pacheco agendou um esforço concentrado de três dias para a sabatina de autoridades indicadas para cargos.
Na economia, jornais reportam que o lucro do Itaú cresceu 34,7% no terceiro trimestre, para R$ 6,8 bilhões.
A carteira de crédito atingiu R$ 962,3 bilhões no final de setembro, um
crescimento de 13,6% em bases anuais. No acumulado de 2021, até
setembro, o lucro do banco foi de R$ 19,72 bilhões, alta de 50% ante
igual período de 2020. Vale a velha máxima: o país vai mal, mas
os bancos vão sempre muito bem. Livres de impostos e sempre acumulando
lucros recordes, apesar da crise econômica que mantém mais de 100
milhões de brasileiros na pobreza.
LULA
Na Folha, Monica Bergamo escreve sobre os esforços de líderes do PT e do PSB tentam viabilizar chapa com Lula e Alckmin para 2022.
“Conversas já ocorrem há um certo tempo, mas se intensificaram nas
últimas semanas”, escreve. “Além dos obstáculos naturais para a junção
de dois tradicionais adversários políticos, o tempo corre contra ela
—daí a pressa”.
Para viabilizar a ideia, algumas dificuldades precisam ser contornadas. Em primeiro lugar, tanto Lula quanto Alckmin ainda
precisam ser convencidos plenamente de que a chapa pode funcionar —não
apenas para ganhar as eleições, mas especialmente para governar.
Vale a leitura da coluna de Maria Cristina Fernandes, no Valor, apontando como
Congresso e Judiciário se preparam para tirar o máximo do pato manco no
poder para poderem enquadrar um próximo presidente fortalecido pelas
urnas. O início da transição de poder inclui um pacote de mudanças
legais que vão desde os rearranjos institucionais, jurídicos e
econômicos impostos pela pandemia até o semi-presidencialismo. A íntegra está ao final deste briefing.
ELEIÇÕES 2022
Além do revés para Ciro com a decisão do PDT de apoiar a PEC dos Precatórios, jornais registram os movimentos de outros candidatos da chamada terceira via. Sérgio Moro desembarcou ontem em Brasília para tratar sobre 2022 e já vê impasse em diálogo com PSL. Ele foi recebido com vaias no aeroporto da capital. O Globo informa que Moro enfrenta resistências no Podemos.
Outra novidade é o lançamento do cientista político Felipe d'Avila como pré-candidato do Novo à Presidência em 2022 após racha interno da legenda liderada por João Amoedo. No Estadão, Roberto Macedo escreve que, com 11 nomes, terceira via tem candidatos demais. “É preciso que a alternativa a Lula e Bolsonaro em 2022 caminhe para um único candidato realmente viável”, aponta.
Outra notícia é a luta fraticida no ninho tucano. PSDB cria regra para tentar frear a guerra entre os governadores João Doria (SP) e Eduardo Leite (RS) nas prévias. Estadão informa que as prévias do PSDB têm ataques apócrifos, acusações e fake news. Na Folha, Bruno Boghossian comenta: Não há como o PSDB chegar inteiro a 2022. “Votação para escolher candidato ao Planalto tornou públicas as tradicionais puxadas de tapete dos tucanos”, aponta.
Ainda sobre a terceira via, Estadão noticia que a maioria do União Brasil, o novo partido que surgiu da fusão entre PSL e DEM, admite apoio a Bolsonaro em 2022.
“Levantamento mostra que 56 de 88 parlamentares não descartam
alinhamento”, diz o jornal. O aceno da maior parte dos parlamentares a
Bolsonaro diverge do discurso de independência em relação ao Palácio do
Planalto adotado por dirigentes da nova sigla.
PGR
Folha informa que o procurador-geral da República, Augusto Aras, acumula desgaste no STF e vira alvo de críticas públicas de ministros. “Magistrados já disseram que o PGR não pode ser 'espectador' e emitiram nota sobre inação do órgão”,
pontua. Aras tem dificuldade agora em sua relação com a corte e tem
pela frente imposto um desafio em seu segundo mandato na instituição. Os
ministros Alexandre de Moraes, Rosa Weber, Cármen Lúcia e Edson Fachin
usaram decisões recentes para fazer críticas públicas à atuação de Aras.
COP26
Após abertura com 120 chefes de Estado, que discursaram nos últimos dois dias, a Cop26 segue até o final da próxima semana com negociações diplomáticas.
Essas conversas buscam regulamentar os últimos detalhes técnicos
do Acordo de Paris, tratando sobre transparência, financiamento
e mercado de carbono. A Coalizão anunciou que investirá US$ 100 trilhões no clima. Enviado da ONU para o Clima na COP26, Mark Carney anunciou a iniciativa envolvendo grandes bancos e investidores.
O início da COP foi
apelidado pelos participantes de feira de anúncios. O Brasil aderiu aos
dois mais destacados —o compromisso global do metano e a declaração
sobre florestas, anunciada junto a um fundo que promete US$ 19,2 bilhões
para a conservação.
Folha noticia que EUA ajudarão Brasil a implementar medidas pelo clima, diz John Kerry na COP26.
Conversa com o Brasil é sobre senso comum e fatos, diz o enviado
especial da Presidência americana. Kerry afirmou que o Brasil está
engajado no diálogo com os americanos. Questionado sobre a conversa com
um governo alinhado à administração americana anterior, de Donald Trump,
Kerry respondeu, entre os corredores da conferência, que “o que temos
conversado é sobre senso comum, sobre fatos”.
O jornal ainda publica a reação de Bolsonaro, que criticou líder indígena que teria ido à Cop26 para ‘atacar o Brasil’.
Sem citar nominalmente Txai Suruí, presidente afirma que ativista foi à
reunião de Cúpula do Clima como substituta do cacique Raoni. A
ativista de 24 anos fez história ao discursar na abertura da reunião
global do clima da ONU, na segunda.
Estadão faz um perfil
sobre os os jovens brasileiros da 'geração Greta' que foram a Glasgow
para fazer história na Cop26.
BRASIL NA GRINGA
Financial Times traz reportagem para resgatar a história do antigo projeto de Fordlândia, um lembrete de como a floresta amazônica resiste a interesses comerciais. “A cidade abandonada de Henry Ford oferece lições para aqueles que buscam explorar o potencial econômico da região”, escreve Bryan Harris.
No final da década de
1920, o industrial Henry Ford decidiu construir não apenas uma plantação
de borracha para alimentar a produção de carros nos Estados Unidos, mas
uma cidade americana modelo para acompanhá-la. “Ford nunca visitou seu
último grande projeto e a plantação amazônica falhou miseravelmente por
uma fila de razões — da arrogância dos homens de Ford a uma praga que
impediu a produção em massa da seringueira Hevea”, lembra.
The New York Times informa que, diante da escassez de suprimentos de vacinas, a OMS pressiona a América Latina e o Caribe a suspender os reforços. “Remessas suficientes de doses demoram a chegar a muitos países da região e as desigualdades econômicas complicam as coisas”, aponta.
Diretor da OPAS, Jarbas Barbosa disse
que oferecer vacinas a crianças antes dos grupos de alto risco é um
erro. Ele declarou que os grupos de risco que receberam Sinopharm ou
Sinovac Biotech precisariam de uma terceira dose para garantir proteção
total contra a Covid-19. Barbosa disse que não há evidências de que
adultos saudáveis que receberam duas doses precisem de outra.
Em outra reportagem, o jornal relata que a OMS concedeu autorização de emergência para Covaxin, a primeira vacina contra o coronavírus desenvolvida na Índia.
A vacina foi desenvolvida pela Bharat Biotech, uma empresa farmacêutica
indiana, e pelo Conselho Indiano de Pesquisa Médica, um órgão
governamental, e é a oitava vacina contra o coronavírus a receber luz
verde do órgão global de saúde.
A OMS disse em um
tweet que a Covaxin atende aos padrões de proteção contra a Covid-19 e
que o benefício da vacina supera em muito os riscos. O NYT lembra
que autoridades no Brasil, onde o governo havia comprado doses de
Covaxin, levantaram questões sobre a vacina e investigaram possíveis
irregularidades em seu contrato para comprar 20 milhões de doses do
imunizante indiano.
INTERNACIONAL
O New York Times destaca em manchete de primeira página que os democratas ainda estão se recuperando das derrotas inesperadas e agora estão alarmados para 2022. “Autoridades
do partido dizem que a Casa Branca e o Congresso devem fazer mais para
lidar com o profundo mal-estar do eleitorado ou correr o risco de ver os
eleitores recuarem em direção ao Partido Republicano”, reporta. A segunda chamada de capa é a vitória de Philip Murphy na reeleição para governador de Nova Jersey. “A
vitória sobre Jack Ciattarelli, que pôs fim à reeleição de 44 anos dos
democratas, foi muito mais apertada do que as pesquisas previam”, resume.
Washington Post mantém o foco sobre a vitória do republicano Glenn Youngkin para o governo da Virgínia. O jornal diz que ele foi eleito cortejando moderados e simpatizantes de Trump. “Então ele é trumpista?”,
indaga. “A vitória por pouco, mas decisiva, do republicano Glenn
Youngkin na disputa para governador promete uma mudança brusca na
política para a Virgínia, onde os democratas passaram dois anos
promulgando uma agenda notavelmente liberal para um estado sulista que
há muito tinha tendência para o vermelho”, observa. “O governador Ralph
Northam (D) se encontrará com Youngkin para começar a preparar a
transição”, continua. Líderes dos dois partidos parabenizaram o
governador eleito.
Wall Street Journal também destaca a eleição do republicano. A
vitória de Youngkin na Virgínia oferece um roteiro de meio de mandato
para o Partido Republicano e serve de advertência para os democratas.
Glenn Youngkin dá esperanças a seu partido de ter encontrado novas
estratégias para retomar o controle do Congresso no ano que vem,
enquanto deixa os democratas preocupados com base eleitoral desanimada.
O inglês Financial Times traz na manchete a informação de que o Fed, o Banco Central dos EUA, deve começar a recuperar programa de estímulo de US$ 120 bilhões por mês. “Banco central planeja 'redução' das compras de títulos enquanto a economia dos EUA enfrenta o aumento da inflação”,
informa. A decisão é ápice de meses de debate entre as autoridades do
Fed sobre o nível de apoio que a maior economia do mundo precisa, à
medida que as pressões de preços começam a se estender além dos setores
mais sensíveis à reabertura pós-pandemia.
The Guardian bate
duro em Boris Johnson ao destacar na manchete que parlamentares
conservadores votaram a favor de uma revisão das investigações padrão,
colocando a suspensão de um ex-ministro em compasso de espera. Primeiro-ministro é acusado de corrupção enquanto destrói o sistema para lutar contra a depravação de Westminster.
Uma investigação
descobriu que Owen Paterson violou as regras de lobby, mas o parlamento
evita puni-lo por enquanto. O jornal diz que os conservadores “rasgaram”
as regras anti-sleaze do Parlamento, apoiando a emenda para revisar a
forma como o comportamento dos parlamentares é policiado. O Guardian diz
que Boris Johnson jogou o peso do governo na proteção de Paterson, mas
muitos parlamentares conservadores se recusaram a apoiar a medida. Por
250 a 232 parlamentares apoiaram a emenda.
O Times cita um MP conservador que se rebelou contra o governo dizendo que foi um “erro colossal” do primeiro-ministro chicotear
parlamentares para apoiar a moção. No entanto, Paterson, que negou
quebrar as regras, disse que recebeu com agrado a oportunidade de limpar
seu nome.
A imprensa argentina noticia que a vice-presidenta Cristina Kirchner será operada no Sanatório Otamendi.
Ele chegou ao centro médico pouco depois das 6h30. E foi submetida a
uma histerectomia programada e deve ficar hospitalizado por três a cinco
dias. Sua mãe, Ofelia Wilhelm, também passou pelo mesmo procedimento. |