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sábado, 4 de julho de 2020
Análise de Mídia 04/07
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sexta-feira, 3 de julho de 2020
De acordo com o Datafolha, adeptos fiéis a Bolsonaro compõem 15% da população
À saída do Alvorada, ontem, uma apoiadora se queixou ao presidente Jair Bolsonaro de que a educação estava definhando. “A educação está horrível, no Brasil”, ele respondeu. “Talvez escolha hoje o ministro”, terminou. Ontem, porém, a escolha não ocorreu. (Correio Braziliense)
Há muito este tipo de encontro público não ocorria. Desde 1ª de junho, o governo tem levado os apoiadores que madrugam no Palácio para o jardim onde, longe dos microfones, o presidente vem mais ouvindo do que falando. Está num esforço para evitar a criação de novas crises. Este modelo calado, abatido, chegou a levar um velho amigo a lhe sugerir que renunciasse. “Por que você não larga isso tudo?” Bolsonaro fez que não. “Essa missão é coisa de Deus.” (Crusoé)
De acordo com o Datafolha, adeptos fiéis a Bolsonaro compõem 15% da população. São os mais leais. Vivem mais no Sudeste do que no Nordeste, têm renda maior do que três salários mínimos mensais — superior à média da população. Dentre eles, apenas 47% reconhecem que houve ditadura no Brasil a partir de 1964. Este número é de 83% nos outros brasileiros. (Folha)
Meio em vídeo: Por quanto tempo o presidente consegue segurar seu temperamento explosivo? E o que isto nos diz sobre as possibilidades de impeachment — ou de reeleição? Assista.
Aliás... A profunda dificuldade que o presidente americano Donald Trump está enfrentando para conseguir sua reeleição acendeu o alerta vermelho no Planalto. Porque Bolsonaro tornou uma aliança pessoal com seu par nos EUA a fundação de sua política externa, conta Gerson Camarotti, há preocupação de que num possível governo Joe Biden o Brasil termine isolado. (G1)
E talvez não seja surpresa, mas diplomatas estão com dificuldades de cumprir a missão de listar os efeitos positivos da gestão de Ernesto Araújo no comando da política externa. As exportações brasileiras diminuíram 20% entre 2018 e 19, lembra Guilherme Amado. (Época)
Pois é... Os radicas do governo estão se refugiando. Os filhos do presidente, assim como o ex-ministro Abraham Weintraub, estão migrando para a rede social conservadora Parler, conta Bela Megale. A mudança ocorre em meio a uma ação maior do Twitter para conter o discurso de ódio, mas é também repetição do movimento feito nos EUA pelos seguidores de Donald Trump. Com menos impacto, e menos gente fora da direita estridente, é um ambiente no qual podem conversar com liberdade e sem gerar crises, preocupação que o governo tem neste momento. (Globo)
Um dos mais ativos bolsonaristas nas redes, Bernardo Küster, demonstrava preocupação, ontem, no Twitter. “Povo, a ideia não é abandonar todas as redes sociais e ficar no Parler somente. Isto é idiotice e nunca propus isto. A ideia é expandir. Se der treta por aqui, ainda teremos lá. Há, porém, coisas que podem ser ditas lá e aqui não.” O medo é de perder influência no ambiente em que a opinião pública é mais atingida. (Twitter)
O Ministério Público do Rio intimou o senador Flávio Bolsonaro e sua mulher, Fernanda, a prestarem depoimento na próxima semana. O tema: rachadinha em seu gabinete da Assembleia Legislativa. (Globo)
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Covid-19 mata 1 a cada 100 pessoas infectadas no Brasil
O Ministério da Saúde apresentou nesta quinta-feira os resultados do maior estudo epidemiológico já feito sobre a covid-19 no mundo, realizado em parceria com a Universidade Federal de Pelotas (UFPel). Os dados apontam que, de cada cem brasileiros que pegam a doença, um vai a óbito. Isso representa uma letalidade de 1,15% no país. O estudo também põe em cifras a subnotificação da pandemia no Brasil. De acordo com os resultados, o total de pessoas com anticorpos para o novo coronavírus pode ser seis vezes maior que o número de casos notificados oficialmente.
Outra pesquisa divulgada nesta quinta-feira aponta ainda que o vírus pode ter chegado ao país bem antes do primeiro caso registrado oficialmente, em 12 de março. Pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) encontraram partículas de SARS-CoV-2 em amostras do esgoto bruto de Florianópolis, congelado para estudos de virologia, colhidos em 27 de novembro. Trata-se da amostra mais antiga do novo coronavírus encontrada nas Américas até o momento, afirmou em coletiva de imprensa a pesquisadora Gislaine Fongaro, do Laboratório de Virologia Aplicada da UFSC.
No dia em que o Brasil chegou perto de 1,5 milhão de contaminados e 61.884 mortos pela covid-19, o filósofo Vladimir Safatle escreve sobre a "engenharia da indiferença" no país. Para ele, "o principal esforço até agora não consistiu em mobilizar as riquezas do país para evitar as mortes, mas, sim, em banalizá-las", escreve. "O país no qual podemos habitar ainda não existe. Seria mais fácil se assumíssemos, de uma vez por todas, que precisaremos criá-lo. E o primeiro passo para isso é se recusar a aceitar mais um genocídio."
Já a reportagem de Javier Salas propõe uma discussão delicada: o limite do aceitável seria mais baixo para pessoas com menos recursos? Uma série de experimentos em Harvard tentaram responder a essa pergunta, com algumas conclusões reveladoras: temos um padrão duplo preocupante. Pessoas de baixa renda são julgadas de modo mais negativo por consumirem os mesmos itens do que outras com renda mais alta porque se considera que elas deveriam se contentar com menos, mesmo que isso prejudique sua saúde ou segurança. Um estudo bastante revelador neste contexto atual de pandemia, em que em todo mundo são discutidas propostas de renda mínima para os que têm menos, algo às vezes recebido com preconceito por parcelas da população.
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