sexta-feira, 2 de julho de 2021

Deu na Imprensa - 02/07/2021

 

Uma sexta-feira intensa no noticiário, com novos desdobramentos e linhas de investigação para as denúncias de corrupção no governo Bolsonaro. Nas manchetes de jornais, os diários convergem para o depoimento do PM dublê de consultor de empresas, que depôs ontem na CPI, provocou tumulto ao tentar acusar o deputado Luís Miranda (DEM-DF) — que revelou os esquemas de corrupção no Ministério da Saúde. O noticiário abre muitos flancos contra o governo, que permanece nas cordas, sob intenso tiroteio. A imprensa estrangeira também repercute as novas denúncias. 

Folha destaca em manchete: Vendedor reafirma pedido de propina por vacinas à CovidEstadãoPM depõe à CPI, causa tumulto e senadores o veem como 'infiltrado'. E a edição brasileira do El PaísDominguetti reafirma em CPI pedido de propina em negociação de vacina, mas cai em descrença por áudio de deputado. Já O Globo dá em destaque na capa que o Governo pediu à OMS mínimo de vacinas, só para grupos de riscoValor relata que Empresas adotam medidas para se proteger de apagão

Nas revistas semanais, FocusCarta Capital e IstoÉ dão destaque à denúncia de corrupção no centro da crise política que atravessa Bolsonaro. A revista Focus Brasil, editada pela Perseu Abramo, detona: A corrupção sob Bolsonaro"A CPI avança nas investigações e esbarra em mais denúncias de esquemas de desvios dentro do Ministério da Saúde para a compra de vacinas. A propina chegaria a R$ 2 bilhões e envolveria afilhados do líder do governo, Ricardo Barros. Enquanto isso, o povo continua morrendo", destaca.

Focus Brasil traz ainda entrevista com Frei Betto, abordando a crise conjuntural brasileira e destacando que Lula continua sendo a esperança de mudanças para o povo. A semanal destaca entrevista do ex-presidente da Petrobrás José Sérgio Gabrielli alertando para o risco de retrocesso para o país e comprometimento do futuro com a crise de energia elétrica e um balanço sobre os cinco anos do Golpe de 2016 e seus reflexos sociais: ataques aos direitos dos povos indígenas e o retrocesso para a comunidade LGBTQIA+.

A edição de  Carta Capital dá apelido ao mais novo escândalo do governo Bolsonaro: Vacinogate. E destaca: "O deputado Ricardo Barros, líder do governo na Câmara, está na mira da CPI, enquanto se avolumam os relatos de propina em negociações de vacinas", resume. Já a revista IstoÉ comete a velha canalhice de sempre, com seu ranço anti-petista ao comparar Barros com o ex-deputado federal e ex-ministro da Casa Civil de Lula: O Zé Dirceu de Bolsonaro

Diz a semanal da Editora Três: "Desmascarado na CPI, Ricardo Barros articula a compra da vacina da CanSino, um escândalo ainda maior que a aquisição da Covaxin. Figura das sombras, o líder do governo na Câmara domina a articulação política e controla a administração com funcionários de confiança em postos-chave. Ao virar o pivô da crise, ele piora ainda mais a situação de Jair Bolsonaro".

Das quatro semanais, é Veja quem traz o assunto mais morno, mas que mostra o nível de comprometimento dos novos donos da Editora Abril com o país, desfechando um ataque aos planos do ministro Paulo Guedes pela contrariedade com os rumos da reforma tributária: Apetite exagerado"Populista e eleitoreira, a proposta de reforma tributária apresentada pelo governo subverte os princípios liberais e aumenta impostos para a classe média, empresários e investidores", destaca. 


BRASIL NA GRINGA

O inglês The Guardian noticia que a pressão aumenta sobre o Bolsonaro em meio à raiva crescente sobre o escândalo de corrupção de vacinas"Dezenas de milhares para exigir a remoção de Bolsonaro do cargo após relatórios incendiários sobre acordos supostamente corruptos para adquirir vacinas", pontua. Na reportagem, o correspondente Tom Phillips diz que Bolsonaro tenta se distanciar do escândalo que ameaça minar fatalmente sua já surrada alegação de ser um cruzado anticorrupção. "Jair Bolsonaro está mergulhado no momento mais traiçoeiro de sua presidência, já que o líder brasileiro enfrenta um escândalo de bola de neve sobre supostos acordos corruptos de vacinas da Covid e o aumento da fúria pública por sua gestão de uma epidemia que matou mais de meio milhão de pessoas", resume.

No espanhol El PaísEliane Brum volta a denunciar o descaso de Bolsonaro com a saúde pública, acrescentando o peso das suspeitas do envolvimento do presidente do Brasil com a corrupção. Bolsonaro pode ter matado e roubado ao mesmo tempo – é o título de sua coluna. "Como viver sob o domínio de um presidente suspeito não só de ter espalhado o vírus, mas também de ter vacinado em atraso em nome de um esquema de corrupção?", questiona. "Ricardo Barros, designado coordenador da trama, dá a dimensão do abismo do Brasil: tem sido figura estratégica da base aliada de quase todos os governos desde o fim da ditadura cívico-militar: Fernando Henrique Cardoso, Lula, Dilma Rousseff, Michel Temer e agora Bolsonaro. Michel Temer o nomeou Ministro da Saúde, e Barros foi um dos mais violentos inimigos do sistema público. Que tal criatura seja o líder do Governo é a prova absoluta de que a bandeira anticorrupção de Bolsonaro é  outra de suas grandes mentiras".

O francês Le Monde traz na edição impressa de hoje a notícia de que a imagem de Bolsonaro está maculada por escândalos com a compra de vacinas Covid-19"O presidente é acusado de 'prevaricação' por parte da oposição ou de não cumprimento das suas funções de chefe de Estado", sublinha. "Ele gosta de se apresentar como o campeão da luta contra a corrupção. Um capitão valente, simples e honesto, lutando contra as elites 'ladras' de Brasília. Mas a imagem de Jair Bolsonaro está seriamente manchada. O presidente do Brasil agora está envolvido em uma série de escândalos de peculato, envolvendo a compra de vacinas contra a Covid-19".

No português PúblicoPedro Filipe Soares, presidente do Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda, escreve sobre o superpedido de impeachment apresentado na quarta-feira contra Jair Bolsonaro"Meio milhão de pessoas, vítimas de um vírus que as atacou e de um Presidente que não as defendeu", escreve. "Pelo contrário, o negacionismo deu força à pandemia, dividindo o país e minando quaisquer medidas sanitárias. Bolsonaro, é o rosto desse flagelo, o presidente que rejeitou publicamente a ciência e insultou cada uma das vítimas da doença que ele dizia ser 'uma gripezinha'. Só por isso, Bolsonaro merece o impeachment"

O alemão Frankfurter Allgemeine Zeitung noticia a alta de queimadas na Amazônia brasileira. Piores incêndios em junho em 14 anos — destaca o título da reportagem. "Foi o pior junho desde 2007: Mais de 2.300 incêndios ocorreram na Amazônia brasileira. Ambientalistas culpam as mudanças climáticas, o desmatamento e o presidente Bolsonaro", relata.


INTERNACIONAL

New York Times destaca em manchete a decisão da Suprema Corte que mantém restrições de votação no Arizona. A decisão, um teste do que resta da Lei de Direitos de Voto, sugere que os desafios a muitas novas medidas que tornam mais difícil votar podem não ter sucesso. A medida é apoiada pelos republicanos. Usando uma decisão em um caso do Arizona para sinalizar que as contestações às leis aprovadas pelos legislativos republicanos que dificultam a votação de grupos minoritários enfrentariam uma recepção hostil da maioria dos juízes. A votação foi de 6 a 3, com os três membros liberais do tribunal em dissidência. O assunto também está em evidência no Washington Post.

Em outra reportagem de impacto, o Washington Post destaca em manchete que promotores apontam fraude na empresa Trump. O assunto também é destaque no New York Times, que informa que a Organização Trump é responsável por administrar um esquema tributário de funcionários de 15 anos. A empresa foi acusada de ajudar seus executivos a sonegar impostos sobre indenizações, escondendo bônus e regalias de luxo. O gabinete do procurador do distrito de Manhattan, que conduz a investigação ao lado do procurador-geral de Nova York, também acusou um alto executivo, Allen H. Weisselberg, de evitar impostos sobre US$ 1,7 milhão em regalias que deveriam ter sido registradas como receita.

Wall Street Journal faz alarde com apoio internacional aos Estados Unidos para a adoção do imposto mínimo global. Em manchete, jornal informa que funcionários de 130 países concordaram com as linhas gerais de uma revisão mais ampla das regras de tributação de empresas internacionais. Financial Times também trata do assunto na manchete principal apontando que as principais economias mundiais concordam com a alíquota mínima global de impostos corporativos.

Em outra reportagem, o Financial Times noticia a apreensão da OMS por conta de uma nova variante da Covid-19. Mutações "incomuns" da variante Lambda intrigam cientistas"A cepa detectada pela primeira vez no Peru se espalhou para 27 países, incluindo o Reino Unido", relata. "Anteriormente conhecida como C.37, a variante Lambda foi detectada pela primeira vez no ano passado no Peru e, desde então, se espalhou para 27 países, incluindo o Reino Unido. Public Health England disse esta semana que tinha sido identificado 'em todo' o país, embora o número de casos identificados permaneça pequeno".

O francês Le Monde destaca a onda de calor que atinge o norte da Índia com as temperaturas mais altas desde 2012. Os cientistas temem que esse fenômeno se intensifique devido às mudanças climáticas. Enquanto do outro lado do globo, o oeste do Canadá foi atingido por uma onda de calor histórica que atingiu 49,6 graus — a fonte dos incêndios que devastou notavelmente a vila de Lytton, na Colúmbia Britânica — dezenas de milhões de indianos também estão sufocando, sob temperaturas escaldantes. A capital, Nova Delhi, registrou suas temperaturas mais altas desde 2012, superando 40ºC.

O jornal inglês The Guardian alardeia em manchete que cientistas do clima estão alertando que "nenhum lugar está seguro" do tipo de calor extremo que atingiu o oeste dos Estados Unidos e Canadá, ao lado de uma imagem impressionante de bombeiros lutando contra um incêndio perto da barragem de Santa Fé, na Califórnia. Especialistas dizem que, à medida que a crise climática aumenta as temperaturas globais, todas as sociedades — do norte da Sibéria à Europa, da Ásia à Austrália — devem se preparar para eventos climáticos mais extremos.

Já o londrino Times destaca que ministros elaboraram planos "radicais" para reduzir as emissões de carbono que aumentariam as contas de gás e o custo de funcionamento de um carro em centenas de libras por ano. Tudo para avançar com a "revolução verde".

Libération noticia como a esquerda francesa se prepara para as eleições presidenciais de 2022, apontando que o candidato da França Insubordinada, Jean Luc Mélenchon, revelou seu novo pôster de campanha acompanhado de um slogan que lembra um novo movimento político: "A União Popular". Subtítulo: "Para o programa Futuro Comum". Ele se inspirou no governo socialista de Salvador Allende, no Chile.

Na Rússia, o jornal Moscow Times informa que o país enfrenta o recorde de mortes por coronavírus pelo quarto dia"A Rússia está lutando contra um surto impulsionado pela variante Delta altamente infecciosa e agravado por uma campanha de vacinação demorada", alardeia o periódico. O aumento de infecções levou o presidente Vladimir Putin novamente nesta semana a instar os russos a se vacinarem em um pronunciamento transmitido pela televisão ao país.

 

AS MANCHETES DO DIA

Focus: A corrupção sob Bolsonaro. A CPI avança nas investigações e esbarra em mais denúncias de esquemas de desvios dentro do Ministério da Saúde para a compra de vacinas. A propina chegaria a R$ 2 bilhões e envolveria afilhados do líder do governo, Ricardo Barros. Enquanto isso, o povo continua morrendo

Carta Capital: Vacinogate. O deputado Ricardo Barros, líder do governo na Câmara, está na mira da CPI, enquanto se avolumam os relatos de propina em negociações de vacinas

IstoÉ: O Zé Dirceu de Bolsonaro. Desmascarado na CPI, Ricardo Barros articula a compra da vacina da CanSino, um escândalo ainda maior que a aquisição da Covaxin. Figura das sombras, o líder do governo na Câmara domina a articulação política e controla a administração com funcionários de confiança em postos-chave. Ao virar o pivô da crise, ele piora ainda mais a situação de Jair Bolsonaro

Veja: Apetite exagerado. Populista e eleitoreira, a proposta de reforma tributária apresentada pelo governo subverte os princípios liberais e aumenta impostos para a classe média, empresários e investidores

Folha: Vendedor reafirma pedido de propina por vacinas à Covid

Estadão: PM depõe à CPI, causa tumulto e senadores o veem como 'infiltrado'

O Globo: Governo pediu à OMS mínimo de vacinas, só para grupos de risco

Valor: Empresas adotam medidas para se proteger de apagão

El País (Brasil): Dominguetti reafirma em CPI pedido de propina em negociação de vacina, mas cai em descrença por áudio de deputado

BBC Brasil: Por que melhora nos números da pandemia ainda não é luz no fim do túnel

UOL: Diretor exonerado autorizou R$ 1,6 bi para Covaxin apesar de pendências

G1: Queda das mortes por Covid no Brasil aponta efeito da vacinação; veja o que se sabe

R7: Mais de 2 milhões têm saque do auxílio liberado

Luis Nassif: Aumenta o subemprego e o desalento no mercado de trabalho

Tijolaço: Bolsanaro agora quer usar CGU para reduzir mortes por Covid

Brasil 247: Alckmin lidera pesquisa em São Paulo, mas perderia para aliança entre Haddad e Boulos 

DCM: Chefe da propina na Saúde liberou R$ 1,6 bi no caso Covaxin

Rede Brasil Atual: O que leva nomes como Xuxa, Ivete Sangalo e ex-aliados a pedir o 'Fora Bolsonaro'

Brasil de Fato: Está perdido? Entenda o que disse à CPI o cabo e vendedor de vacina Luiz Dominghetti

Ópera Mundi: 'Constituinte chilena é triunfo das ruas', diz Marco Enríquez-Ominam

Fórum: Com diretor da CIA no Brasil, Bolsonaro ameaça convulsão social se Lula for eleito

Poder 360: O que CPI deve esclarecer com convocação de representante da Davati

Vi o Mundo: Ex-prefeito de Porto Feliz aceita acareação com Wizard para desmentir fake news que empresário espalhou sobre covid na cidade

New York Times: Juízes apoiam pressão dos estados republicanos para o limite de votação

Washington Post: Promotores alegam fraude na empresa Trump

WSJ: EUA ganham apoio para alíquota mínima global de imposto corporativo

Financial Times: As principais economias mundiais concordam com a alíquota mínima global de impostos corporativos

The Guardian: Nenhum lugar é seguro: alerta sobre escalada da crise climática 

The Times: Contas de gás e carro sobem sob a revolução verde

Le Monde: Cuidadores: a vacinação obrigatória está se aproximando

Libération: 2022. Os candidatos para a esquerda

El País: Díaz choca com empresários por sua proposta de reforma trabalhista

El Mundo: Sánchez perfila na Catalunha um "referendo consultivo"

Clarín: Governo rechaçou um projeto da oposição, mas busca comprar Pfizer com um decreto

Página 12: Os direitos universais sempre dão resultado

Granma: Cuba comemorou o centenário do Partido Comunista da China

Diário de Notícias: Circulação limitada para 4 milhões de portugueses

Público: Governo altera concursos e quer ter professores estagiários a dar aulas

Frankfurter Allgemeine Zeitung: Sempre Roma

The Moscow Times: Rússia tem recorde de mortes por coronavírus no quarto dia seguido

Global Times: Exclusivo: Plantando 'consultores', bloqueando a aprovação da vacina, ameaçando funcionários — a Austrália sabota a China

Diário do Povo: Xi reúne partido para busca "imparável" pelo rejuvenescimento nacional enquanto o PCC celebra seu centenário

O superpoder de Arthur Lira

 


Tony de Marco

Supergaveta

Nesta quinta-feira o Brasil registrou 1.943 mortes por Covid-19, elevando o total a 520.189 desde o início da pandemia

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) assinou ontem um novo contrato com a AstraZeneca para fornecimento de insumo farmacêutico ativo (IFA) para produzir mais 70 milhões de doses de vacina. O material garante a produção até outubro, quando a fundação deve começar a entrega de vacinas a partir de IFA já produzido no Brasil. (CNN Brasil)

A notícia é ainda melhor porque a AstraZeneca foi uma das quatro vacinas – junto às da Pfizer, da Moderna e da Janssen – analisadas pela Agência Europeia de Medicamentos (EMA) em relação à temida variante delta, identificada primeiro na Índia. A conclusão foi que todas elas são eficazes contra essa cepa com a aplicação de duas doses – no caso da Janssen, a imunização se dá na dose única. (UOL)

Mesmo com a eficácia das vacinas, a variante delta é tida como responsável pela alta de 10% nos casos de Covid-19 na Europa nos últimos sete dias, após duas semanas de queda. Segundo a OMS, o novo pico de infecções foi provocado pela retomada de atividades sem que a maioria das pessoas estivesse completamente imunizada. (Estadão)

Aliás... Entrou em vigor ontem na Europa o “passaporte de vacinação”, um documento que permite ao portador circular pelos 27 países da União Europeia e mais Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein. Com versões impressa e digital, ele traz dados sobre a data de imunização e a vacina aplicada. (Veja)

Aqui, o Observatório Covid-19, elaborado pela Fiocruz, mostra a tendência de queda nas mortes pela doença, ainda que a média de infecções esteja num platô elevado. Para os pesquisadores, a redução na letalidade já pode ser um reflexo dos esforços de vacinação. O relatório apontou também melhora na taxa de ocupação de leitos em UTIs por adultos na rede pública. Dez estados apresentaram quedas de pelo menos cinco pontos percentuais no índice. (Globo)

Nesta quinta-feira o Brasil registrou 1.943 mortes por Covid-19, elevando o total a 520.189 desde o início da pandemia. A média móvel de 1.558 óbitos em sete dias foi 24% menor que a de duas semanas atrás, completando o quinto dia seguido de tendência de queda. (G1)

E duas cidades paulistas, São Bernardo e São Caetano, ameaçam punir os “sommeliers de vacina”. Pessoas que se recusarem a tomar o imunizante disponível na data da vacinação por preferirem o de outro laboratório terão de assinar um termo de responsabilidade e vão para o fim da fila de imunização. (Folha)




Desde 2007 não eram registrados em junho tantos focos de queimadas na Amazônia quanto neste ano. Segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisa Espaciais (Inpe) divulgados ontem, foram identificados no mês passado 2.308 pontos de incêndio na floresta. Isso representa um aumento de 2,6% em relação aos 2.308 focos registrados em junho de 2020. Pior: em tese, os quatro meses da “temporada de queimadas” na Amazônia só começam oficialmente em agosto. (G1)




O Senado aprovou ontem um projeto de lei que tipifica o crime de violência psicológica contra a mulher. Segundo o texto, uma série de situações que possam causar dano emocional e psicológico a mulher podem levar a uma pena de seis meses a dois anos de prisão e multa, caso a situação não envolva crimes mais graves. A violência psicológica também será incluída na Lei Maria da Penha, de forma que o infrator possa sofrer medidas restritivas. O texto vai agora à sanção presidencial. (Folha)

Senadores desconfiam que Planalto mandou Cavalo de Troia para CPI

Para quem diz que a CPI da Pandemia é o novo BBB, ontem foi dia de paredão, com todas as emoções e reviravoltas possíveis. O cabo da PM mineira e representante comercial Luiz Paulo Dominguetti confirmou em depoimento a acusação de que o ex-diretor do Ministério da Saúde Roberto Dias cobrou propina de US$ 1 por dose numa negociação de 400 milhões de doses da vacina AstraZeneca. O negócio seria feito através da empresa americana Davati Medical Suply, da qual Dominguetti diz ser representante informal. Ele reafirmou que a proposta de propina foi feita num jantar na presença do coronel da reserva do Exército Marcelo Blanco, segundo de Dias no Ministério, e de uma terceira pessoa, depois identificada como o também coronel Alexandre Martinelli. (Globo)

A confusão começou quando Dominguetti apresentou uma gravação onde o deputado Luis Miranda (DEM-DF) negociava com o representante de fato da Davati, Cristiano Alberto Carvalho, uma compra, segundo o PM, também de vacinas. Miranda e seu irmão, o servidor do Ministério da Saúde Luis Roberto Miranda, afirmam ter levado ao presidente Jair Bolsonaro denúncias de irregularidades na importação da vacina indiana Covaxin. Carvalho entrou em contato com a CPI e desmentiu Dominguetti, e o próprio Miranda apareceu na comissão para dizer que a negociação, feita no ano passado, era de luvas. O celular do depoente foi apreendido para perícia, e senadores chegaram a pedir sua prisão, o que foi negado pelo presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM). (G1)

Para o vice-presidente da comissão, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), Dominguetti pode ter sido “plantado” com a finalidade de desviar a atenção da CPI das irregularidades na Covaxin e desacreditar as denúncias dos irmãos Miranda. A expressão para isso é Cavalo de Troia, o falso presente que os gregos deixaram para os troianos cheio de inimigos dentro. (Poder360)

Alvo das acusações do PM/vendedor, o ex-diretor de Logística do Ministério da Saúde Roberto Dias negou que tivesse pedido propina, embora confirme o encontro com Dominguetti num restaurante em Brasília. Já o coronel Alexandre Martinelli, identificado ontem pelo PM a partir de uma foto, nega que tenha participado do jantar e fala em ir à Justiça por conta da exposição de sua imagem na CPI. (Folha)




O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), quebrou um tabu ao assumir a homossexualidade durante entrevista a Pedro Bial que foi ao ar nesta madrugada. “Eu sou gay. E sou um governador gay, e não um gay governador, tanto quanto Obama nos Estados Unidos não foi um negro presidente, foi um presidente negro. E tenho orgulho disso”, disse o governador, que é um dos pré-candidatos tucanos ao Planalto. Confira a entrevista na Globoplay. (G1)

Mais cedo, Leite participou de um debate com outros dois pré-candidatos, Ciro Gomes (PDT) e Luiz Henrique Mandetta (DEM), organizado pelo Centro de Liderança Pública (CLP), em parceria com o Estadão. Os três defenderam a reforma tributária e uma ampla restruturação do sistema político brasileiro que dê mais estabilidade ao país. Mas também ressaltaram as diferenças em suas visões, com Ciro defendendo o nacional-desenvolvimentismo e Leite enfatizando o equilíbrio fiscal, enquanto Mandetta dedicou mais tempo a atacar o governo Bolsonaro, do qual foi ministro da Saúde. (Estadão)




A ministra do STF Rosa Weber negou o pedido da PGR para só dar continuidade à notícia-crime contra Jair Bolsonaro após a conclusão da CPI. A denúncia por prevaricação foi apresentada por três senadores. (Poder360)




Meio em vídeo. Alguém aí poderia imaginar que, cinco anos após o impeachment da presidente Dilma, nós veríamos a presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, no mesmo palco que o líder do MBL, Kim Kataguiri? Essas uniões entre grupos com mágoas profundas que os separam e valores tão distintos têm história no Brasil. E, às vezes, dão certo. Confira o Ponto de Partida no YouTube.


O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre Moraes atendeu ao pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) e arquivou o inquérito sobre atos antidemocráticos. Só que Moraes abriu uma nova investigação, agora contra uma “organização criminosa digital” que usa a internet para atentar contra a democracia. (Poder360)

O relatório da Polícia Federal que serve de base à nova ação aberta por Moraes aponta o próprio presidente Jair Bolsonaro e dois de seus filhos, o deputado Eduardo (PSL-SP) e o vereador carioca Carlos (Republicanos), como integrantes de uma “milícia digital”. (Metrópoles)




A Trump Organization, empresa do ex-presidente dos EUA Donald Trump, foi formalmente acusada ontem de fraude e crimes fiscais pela Promotoria de Nova York. De acordo com os promotores, foram “15 anos de evasão de impostos”, num prejuízo aos cofres públicos estimado em US$ 1,7 milhão (cerca de R$ 8,6 milhões). As contas de Trump sempre foram um mistério. Contrariando a tradição, ele não apresentou suas declarações de renda ao se candidatar à Casa Branca e, segundo o New York Times, não pagou imposto de renda por dez anos. (G1)

Dominguetti reafirma denúncia de propina, mas deixa perguntas sem resposta

 


depoimento de Luiz Paulo Dominguetti Pereira na CPI da Pandemia foi tão quente quanto tumultuado. O representante da Davati Medical Supply reafirmou ter recebido uma proposta de propina de um então diretor do Ministério da Saúde durante as negociações para a venda de vacinas contra a covid-19.  Carla Jiménez e Marina Rossi contam como o depoente conseguiu tumultuar a sessão com um áudio manipulado envolvendo o deputado Luis Miranda ―o primeiro denunciante do esquema fraudulento de compra de vacinas. Passou a ser questionado por oposicionistas e governistas, numa reviravolta que ampliou a série de perguntas em aberto sobre o caso. Para navegar na trama, o EL PAÍS preparou um quem é quem entre os citados por Dominguetti e elenca as questões sem resposta.

A outra notícia política do dia foi a entrevista do governador tucano Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul, a Pedro Bial, na Globo. Na entrevista, Leite, que é aspirante a candidato do seu partido em 2022, assume que é gay. "Leite acena a um público que não está mais disposto a considerar a orientação sexual um tema a esconder, e isso não quer dizer que necessariamente seja um eleitor apenas identificado com a esquerda", escreve Flávia Marreiro.

No agenda internacional, um acordo histórico entre as principais economias globais foi anunciado. Assinado por 130 países, inclusive o Brasil, o pacto prevê o estabelecimento de um tributo corporativo mínimo de 15% para as multinacionais. De Paris, a correspondente Silvia Ayuso narra os pilares do acordo que estabelecerá novas bases para a arquitetura tributária e empresarial mundial.

Na Nicarágua, o recrudescimento da repressão pelo regime de Daniel Ortega afeta até aqueles que lutaram junto ao sandinista há quase meio século contra a ditadura de Anastasio Somoza. O EL PAÍS conversou com Sérgio Ramírez, um dos maiores expoentes culturais do país centro-americano e ex-companheiro de luta de Ortega, que hoje se diz decepcionado com os rumos que a Nicarágua tomou. "É uma grande tragédia. Continuo vivendo a revolução com olhos sentimentais, mas é cada vez mais difícil separar a ideia de sandinismo que tínhamos nos anos oitenta da figura de Daniel Ortega, o ditador”, lamenta.

Todos, em algum momento, já nos questionamos o que é felicidade. E, não raramente, a condicionamos ao que acontece conosco e à realização de expectativas. No entanto, isso não poderia estar mais distante da felicidade. O propósito é o sentido que nos move, é a resposta de por que fazemos o que fazemos e nos ajuda a ser mais livres para optar pelo que realmente nos fará mais felizes, escreve em ensaio Pilar Jericó.


Dominguetti reafirma denúncias, mas cai em descrença por áudio de deputado
Dominguetti reafirma denúncias, mas cai em descrença por áudio de deputado
Representante da Davati se torna alvo de desconfiança dos senadores que o acusam de ter sido ‘plantado' na CPI da Pandemia
Quem é quem no depoimento e as perguntas que seguem sem resposta
Quem é quem no depoimento e as perguntas que seguem sem resposta
Revendedor autônomo da Daviti, que acusa diretor de Ministério da Saúde de ter cobrado propina ao negociar vacina, causou confusão na Comissão

quinta-feira, 1 de julho de 2021

A verdadeira terceira via

 A verdadeira terceira via

Purgatório de Bolsonaro na CPI e seu derretimento nas pesquisas de opinião alimentam a cajadada do semipresidencialismo

Maria Cristina Fernandes | Valor

A ameaça de explosão da propinolândia do Ministério da Saúde e o purgatório do presidente Jair Bolsonaro com seu derretimento nas pesquisas de opinião alimentam a cajadada do semipresidencialismo.

Seus maiores defensores são o ex-presidente da República Michel Temer e o ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes, que chegaram a escrever uma proposta de emenda constitucional juntos. Uma congênere desta proposta, com mais poderes para o presidente do que a da dupla, já tramita no Senado com a assinatura de representantes de todos os partidos da Casa.

Proposta aparece como saída única para crise e sucessão

Duas mitigações do presidencialismo já foram derrubadas em consultas populares em 1963 e em 1993. Se vingar, desta vez, terá sido por obra e graça do vice-presidente Hamilton Mourão e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O primeiro por ser tão indesejável, pelo Congresso, quanto Bolsonaro o é no país e o segundo por aparecer, a cada pesquisa, mais bem posicionado para derrotar o presidente. Além de ponto de fuga para um Congresso que rejeita o impeachment, o semipresidencialismo resolveria o problema de uma terceira via sem voto.

Vigente em mais de 50 países, o modelo que inspira Temer e Gilmar aproxima-se daquele vigente em Portugal e na França, onde o presidente é eleito pelo voto direto, escolhe, a partir da maioria congressual, o primeiro-ministro, e, por indicação deste, os integrantes do governo. Ainda chefia as Forças Armadas, conduz a diplomacia, escolhe ministros de tribunais superiores e embaixadores, tem direito de veto e sanção e dissolve o gabinete em situação de crise. Temer rifou a figura do ministro-coordenador que, na proposta original, não precisaria ser originário do Congresso.

Com um governo claudicante e uma geração de generais educada na base dos tuítes ameaçadores contra aquele que lidera as pesquisas, o paralelo com o parlamentarismo imposto a João Goulart depois da renúncia de Jânio Quadros, é evidente. Sua implementação, a partir de 2026, com referendo, derrubaria a comparação e ainda responderia ao reclamo de um presidente que, apesar de encurralado, tem direito à reeleição conquistado pelo voto.

A precipitação da crise, porém, Temer o reconhece, abre uma oportunidade mais imediata para o semipresidencialismo. Gilmar Mendes já viu emenda constitucional gorar uma eternidade ou ser aprovada de um dia para o outro. Além de escândalos que se atropelam, o empurrão viria da governabilidade deteriorada por um modelo de emendas parlamentares que se esgotou.

A balbúrdia das emendas extra-orçamentárias chegou ao ponto de os dois partidos que requisitaram ações no Supremo para suspender a execução do chamado "orçamento secreto", o PSB e o Cidadania, terem voltado atrás por pressão de seus pares no Congresso. Além de não ter sido aceita pela relatora, ministra Rosa Weber, a desistência levou à desfiliação do senador Alessandro Vieira (SE) do Cidadania. Há, no Congresso, quem aposte que a suspensão das emendas a serem executadas em 2021 teria um potencial mais destrutivo sobre a base do governo do que o circo da CPI.

A obrigatoriedade e os valores das emendas cresceram à medida que os presidentes, Temer inclusive, foram encurralados pelo Congresso. A ponto de os parlamentares hoje superarem, com os recursos à sua disposição, a capacidade de investimento do Executivo. Usufruem do bônus de governar sem ter que arcar com o ônus de se responsabilizar por atos e gastos.

Para não falar do impacto fiscal, não apenas das emendas, mas dos projetos que o Congresso remenda e aprova como quer. Derruba veto presidencial à desoneração da folha de salários das empresas sem a devida previsão orçamentária e privatiza a Eletrobras com aumento de despesa da União, exemplifica o deputado Rodrigo Maia (sem partido-RJ), outro convertido ao semipresidencialismo.

Desde que publicou um artigo sobre o tema, em 12 de junho, em "O Estado de S. Paulo", Temer tem sido consultado por empresários sobre a viabilidade política do semipresidencialismo. Maia não descarta que a reunião dos 11 partidos de centro-direita contra o voto impresso, possa vir a ser um embrião da defesa da proposta. É nos dois polos que hoje lideram a política nacional, porém, que a fagulha custa a acender.

Bolsonaro entrega tudo o que resta no governo mas não acata uma mudança do gênero, diz uma liderança governista. Lula também custaria a aceitar uma mitigação dos poderes que o partido tem chances crescentes de conquistar em 2022. Defensores da proposta dizem que a mudança evitaria que o PT revisitasse o inferno vivido nas crises de seus mandatos, mas, no partido, a ideia é vista como se a devolução dos direitos políticos de Lula tivesse servido de bode na sala para a aprovação da mudança no sistema de governo.

Em 1993, Lula chegou a discutir com o PSDB apoio ao parlamentarismo, mas o PT o dobrou com a defesa do presidencialismo. Há, por isso, no partido, quem ache que o ex-presidente toparia o acordo em nome do apaziguamento. A hostilidade no mercado pode ser medida pela divulgação de notícia falsa dos filhos do presidente sobre a idoneidade das melhores pesquisas eleitorais da praça que atestam a franca vantagem petista. No círculo mais próximo de Lula, porém, a aposta é que, além de o ex-presidente não querer abrir mão de governar com plenos poderes, seus apoiadores se sentiriam traídos.

Flávio Dino, governador do Maranhão, recém-filiado ao PSB e aliado de Lula, votou pelo parlamentarismo em 1993 e aprova o modelo proposto por Temer e Gilmar mas não vê viabilidade política para sua aprovação. De engenhoso, diz, acabaria sendo visto como arranjo, arremedo, tampão.

De todas as dúvidas em torno da saída proposta a mais irrefutável é a percepção de que o semipresidencialismo acabaria por eternizar no poder uma maioria parlamentar que, desde o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, tem aprovado uma agenda contrária ao programa do pré-candidato a presidente que lidera as pesquisas. O ministro Gilmar Mendes tem argumentado que caberia ao presidente arregimentar puxadores de votos para os partidos aliados de maneira a fazer a maioria parlamentar. O problema é que as regras para a eleição dessas bancadas serão feitas num Congresso dominado pelo Centrão. O bloco, portanto, teria todas as condições para impor as regras por meio das quais se eternizaria no poder.

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