quinta-feira, 3 de fevereiro de 2022

A fila do confessionário



Maria Cristina Fernandes | Valor

Foi com ares de Arenão que o União Brasil foi anunciado. Alçaria à condição de maior partido da Câmara pela junção do PSL, legenda que elegeu o capitão, com o DEM, herdeiro do partido de sustentação da ditadura dos generais. Quatro meses depois, a UB, que ainda não foi formalizada, passou de legenda disputada pela terceira via, para agrupamento dos que têm dinheiro e TV mas é incapaz de canalizar um ou outro para a conquista do poder. 

Também foi com pompa de partido oficial que o PL de Valdemar Costa Neto filiou o presidente da República. Com os planos de arregimentar os candidatos do bolsonarismo raiz à Câmara, passou a acalentar o sonho de fazer uma bancada robusta o suficiente para suceder ao deputado Arthur Lira (PP-AL) em 2025 - sim, porque não colocavam em dúvida a recondução do presidente da Câmara na próxima legislatura. 

Movimento lulista só é menor do que reação à conta a ser paga

A robustez não tem sido capaz de blindar a Pasta mais importante do PL, a Secretaria-Geral de Governo. A ministra Flávia Arruda é responsabilizada por restos a pagar, que o Centrão estima ser de R$ 1 bilhão, das emendas parlamentares de 2021. Por isso, está com a cabeça a prêmio. 

E, finalmente, o PP, partido que coroa esta trinca, assumiu, com a Casa Civil, o coração do governo, salvou as emendas de relator da investida do Supremo e da tesoura no Orçamento. Ainda arrancou do ministro da Economia um Auxílio Brasil de R$ 400 e do presidente, um decreto que lhe permite fazer uma rachadinha com Paulo Guedes nas chaves do cofre. 

Tudo isso, porém, não tem sido suficiente para o partido de Lira e do ministro Ciro Nogueira assegurar aos seus correligionários que o futuro lhes pertence. Fosse assim o PP não estaria ávido em avançar sobre a sacrossanta vedação, nos 90 dias que antecedem as eleições, ao repasse de recursos para emendas parlamentares. 

A brecha que se busca, no relato de consultores do Orçamento, é a de uma súmula do Tribunal Superior Eleitoral que permite o repasse para obras que já tenham tido sua execução iniciada. Coisa que um terreno aplanado, sob um fiscalização displicente, consegue provar. 

O partido vê o café esfriar nos bules do poder numa velocidade maior do aquela com a qual tem conseguido auferir os derradeiros benefícios da coabitação. Por isso os correligionários que queiram fechar alianças com o lulismo nos Estados são tolerados - e até estimulados. É com esse jogo duplo que se constroem bancadas parlamentares. Desde que, é óbvio, não apareçam adversários locais eficientes na denúncia do oportunismo. 

Com a fila do confessionário aumentando a cada dia, o maior beneficiário da crise da trinca de partidos bolsonaristas é Lula. O PT custa a formar uma federação partidária para reduzir sua dependência do Centrão. O PSB teme ficar a reboque dos petistas no Congresso e nas alianças locais, mas com o irrefreável adesismo do Centrão o ex-presidente reduz o preço que precisa pagar pela federação. 

Quem mais trabalha contra a federação entre PT, PSB, PCdoB e o PV são os partidos que não a integram. Suas lideranças argumentam que Lula, se eleito, forma a maioria - até com o PSDB - e elege o presidente da Câmara que quiser. 

Mesmo aqueles que não seguirão com o PT no primeiro turno, como PSD, MDB e Republicanos, por problemas regionais, já sinalizam com aliança futura. Já há sinais do Centrão de que haveria disposição para encaminhar reformas, como a administrativa, antes de sua posse. 

É de um deles uma história sobre a política como ela é: corria o governo Dilma Rousseff quando um ministro recebeu a visita de três integrantes do DEM. Não queriam acompanhar a então presidente da República na disputa pela reeleição mas tampouco iriam com Aécio Neves, candidato pelo PSDB, a quem negariam o tempo de televisão. Em troca, pediram uma ajuda ao governo para desatar o nó na coligação de alguns Estados e facilitar a reeleição de parlamentares do DEM. 

Passada a eleição, Dilma os convidaria para um café, eles pediriam um tempo para conversar, espalhando a “contrariedade da base” até que, por fim, fosse anunciada a adesão ao governo. Levada adiante, a proposta foi arquivada nos autos do impeachment com o voto daqueles parlamentares - “Se fosse Lula, no outro dia ele apareceria pra tomar uísque com a gente e selar o acordo”. 

É este o “movimento” a que Lula diz pertencer sua candidatura e não ao PT. Nem mesmo os parlamentares com interlocução no mercado financeiro têm recebido acenos por resistência. O movimento é de capitulação. 

Os “movimentistas” são solidários na vitória eleitoral mas não nas contas a pagar. O próprio Lula já lembrou que a proposta de reforma tributária costurada no seu governo teve apoio de todos os governadores, federações patronais e sindicais, lideranças partidárias e, ainda assim, não andou. 

Sem aumentar imposto, o pobre só vai entrar no Orçamento, como diz o petista, se houver cortes. A ministra Rosa Weber, derrotada na tentativa de enquadrar as emendas de relator estará na presidência do Supremo e já é lembrada como parte da solução. Mais robusta que os R$ 16,5 bilhões das emendas de relator, porém, é a dotação das renúncias tributárias. No Orçamento de 2022 o valor é de R$ 371 bilhões. 

A Federação das Indústrias de São Paulo já começou a montar, com o Tribunal de Contas da União, uma programação de “diálogos fiscais”. A entidade é presidida por Josué Gomes, filho do vice de Lula por oito anos de governo. O volume de recursos em questão, porém, deixa claro que se trata de um movimento defensivo. 

A antecipação de posições pressupõe um resultado eleitoral ainda desconhecido. Como joga parado, Lula não erra. Na hora que tiver que repassar todas as bolas que recebe é que será possível saber como todos os “movimentistas” vão integrar o time sem fazer corpo mole. 

A aproximação com o PSDB não se limita a uma Carta ao Povo Brasileiro II. Por meio de Geraldo Alckmin, Lula tem buscado aproximação com economistas que participaram da campanha do tucano em 2018 e da formulação do Plano Real, como Persio Arida. É uma maneira de conferir um selo de confiabilidade ao mesmo tempo em que demonstra querer partilhar os desgastes das soluções a serem encontradas. 

Em 1994, os economistas do PT garantiram a Lula que o Plano Real daria errado e lhe fizeram acreditar que aqueles mais de 40% nas pesquisas a quatro meses da eleição se manteriam. Lula perdeu no 1º turno. A ver se agora conseguirá escrever novo epílogo para aquela história. 

https://valor.globo.com/politica/coluna/a-fila-do-confessionario.ghtml

Deu na Imprensa - 03/02

 

Três temas centrais estão nas manchetes dos principais jornais do país nesta quinta-feira, 3 de fevereiro: a nova onda de mortes pela ômicrona alta dos juros definida pelo Banco Central e a demora da polícia em apurar a morte do congolês espancado até a morte no Rio

Eis as manchetes — FolhaPolícia Civil protelou apuração do caso MoïseEstadãoEm um mês, ômicron eleva média de mortes em 566%O GloboApós quase 5 anos, Brasil volta a ter juros de 2 dígitosValorBC eleva juro a 10,75% e indica novas altas a um ritmo menor.

Os dados sobre a pandemia são alarmantes: média chegou ontem a 653 óbitos diários, ante 98 no início de janeiro. Expectativa é de que o avanço em óbitos, internações e novos casos continue pelas próximas duas semanas. As cidades têm alta na fila de espera por leito de UTI com explosão de casos de covid. 

Três outros assuntos na cobertura da política merecem atenção: artigo do ministro Luiz Roberto Barroso confirmando que Dilma Rousseff foi vítima de um golpe parlamentar e a Folha bancando que Lula não abre mão da candidatura de Fernando Haddad ao governo de São Paulo. E o Estadão noticia que, além da vice na chapa, Lula oferece a Alckmin o comando do Ministério da Agricultura.

Na economia, Valor revela que “erro de cálculo” pode atrapalhar privatização da Eletrobrás. O valor da outorga que a ser paga ao governo pelos futuros donos da empresa seria muito maior do que o calcular. A diferença é de bilhões de reais. É um escândaloLuís Nassif comenta no GGNMinistro do TCU interrompe a tacada do século“Por uma regra de três simples, apenas as concessões da Eletrobrás deveriam valer R$ 289 bilhões”, observa. “A ‘falha metodológica’ estava ligada à não precificação da geração de energia pela empresa. A ‘falha’, no caso, representaria o maior assalto a bem público da história do país”, observa. 

Ainda na política, jornais reportam que a PF reafirma crime cometido pelo presidente no vazamento de inquérito sigiloso sobre eleições. A delegada finalizou a investigação. O ministro Alexandre de Moraes envia a Aras notícia-crime contra Bolsonaro por ausência em depoimento, na última sexta-feira.

Sobre a alta da Selic, Fernando Brito comenta no Tijolaço:  Juros em alta vão nos empurrar mais para baixo“Fosse apenas para segurar a inflação, os juros oficiais não teriam razão para a alta de 1,5% (a 10,75% ao ano) decretada pelo Banco Central. Mas não é bem assim e as razões do aumento são outras. E várias: a necessidade de atrair capital estrangeiro (contendo a cotação do dólar), ao oferecer uma remuneração impensável nos grandes mercados (5 a 6% em valores expurgados da inflação), muito acima das taxas internacionais, ainda que em alta; e um deliberado ‘esfriamento’ da economia para segurar os o efeito do descontrole fiscal provocado pelo ‘te dou um dinheiro aí’ a que Bolsonaro vai se entregar de agora até as eleições”.

Sobre as movimentações do ex-presidente, Maria Cristina Fernandes comenta no Valor“Lula diz que não é candidato do PT mas de um ‘movimento’. Adesismo só não é maior que a resistência à conta a pagar”. Ela compara o desejo de alianças de políticos do petista com uma fila do confessionário — leia a íntegra ao final deste briefing.

BRASIL NA GRINGA

New York Times traz reportagem na página B3 abordando como o aumento dos preços da energia complica a luta contra o aquecimento global. “Os preços do petróleo e do gás estão subindo, enquanto o uso de carvão está atingindo recordes mundiais”, relata. “As causas da crise de gás são inúmeras: a demanda global se recuperou mais rapidamente do que a oferta desde o início da pandemia; a menor produção de barragens hidrelétricas na China e no Brasil levou a um aumento nas importações de gás; uma onda de frio na última primavera em toda a Europa aumentou a demanda e reduziu os estoques de gás”. A crise é particularmente aguda na Europa, onde os preços do gás natural estão agora cinco vezes mais altos do que há um ano. 

INTERNACIONAL

New York Times coloca em letras garrafais na manchete de primeira página: EUA não se curvarão à Rússia sobre quem pode se juntar à OTAN. O jornal reforça que a resposta de Biden a Putin mostra firmeza sobre quem pode se juntar à aliança. “Respostas vazadas às exigências de segurança de Moscou reforçaram a intratabilidade de uma crise que ameaça levar à guerra”, resume. 

Mas o NYT pondera: A estratégia de Biden com Putin está funcionando ou incitando Moscou à guerra? “O objetivo do governo Biden é cortar os russos a cada passo, expondo seus planos. Mas o presidente russo, Vladimir V. Putin, diz que essa abordagem pode desencadear um conflito”, ressalva.

Washington Post também aposta na crise da Ucrânia: Biden envia 3.000 soldados para reforçar a OTAN. O presidente ordenou o envio de milhares de militares dos EUA para reforçar os aliados da Otan na Europa Oriental, disseram autoridades do governo na quarta-feira, enquanto os Estados Unidos e seus parceiros ocidentais intensificam os preparativos para uma possível invasão russa da Ucrânia.

Wall Street Journal também enfatiza o envio das tropas para o leste europeu na segunda chamada de capa: EUA ordenam 3.000 soldados para reforçar aliados europeus na crise Rússia-Ucrânia“Soldados americanos irão para a Polônia, Alemanha e Romênia no primeiro grande movimento das forças dos EUA no impasse”, informa.

O francês Le Monde destaca no alto da home page: Crise na Ucrânia: Rússia pede aos Estados Unidos que “parem de alimentar tensões”. A diplomacia russa considera “injustificada” e “destrutiva” a decisão americana de enviar 3.000 soldados adicionais para a Europa Oriental. 

E o Times ressalta: Putin e Xi formam aliança para derrotar sanções sobre a Ucrânia. Os presidentes da Rússia e da China assinarão uma série de acordos em Pequim amanhã, bem como discutirão um novo gasoduto para a China que poderia fornecer à Rússia uma tábua de salvação econômica no caso de sanções ocidentais. A China prometerá formalmente seu apoio à Rússia em sua disputa com o Ocidente sobre a expansão da Otan, anunciou o Kremlin. 

O chinês Global Times reporta que China e Rússia são 'estabilizadores para um mundo desafiador’ ao tratar da reunião de Xi e Putin para abordar “questões críticas”. “O presidente Putin observou que as duas nações desempenharão papel fundamental para salvaguardar a estabilidade no mundo desafiador de hoje”. A convite de Xi, Putin visitará Pequim em 4 de fevereiro e estará presente na cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de Inverno no mesmo dia.

Ainda na mídia britânica, outro assunto continua sendo a crise política que engolfou o primeiro-ministro inglês. The Guardian destaca em manchete que Boris Johnson está sob pressão enquanto mais parlamentares conservadores pedem sua saída do cargo. Pelo menos 54 cartas seriam necessárias para desencadear uma votação entre os parlamentares conservadores sobre o futuro de Johnson. “Uma nova onda de parlamentares conservadores apresentou cartas de desconfiança em Boris Johnson, quebrando o disfarce para criticar o primeiro-ministro, enquanto as consequências do escândalo das festas de Downing Street continuam a pôr em perigo seu cargo de primeiro-ministro”, resume.

 

AS MANCHETES DO DIA

Folha: Polícia Civil protelou apuração do caso Moïse

Estadão: Em um mês, ômicron eleva média de mortes em 566%

O Globo: Após quase 5 anos, Brasil volta a ter juros de 2 dígitos

Valor: BC eleva juro a 10,75% e indica novas altas a um ritmo menor

BBC Brasil: 'A pessoa compra uma casinha onde consegue pagar': as famílias que viviam em morro que desabou

UOL: Em 10 anos, ninguém foi punido por tortura nas prisões federais do país

G1:  Diante de vagas ociosas, Fies terá orçamento 35% menor para 2022

R7: Governo publica portaria com regras para prova de vida; medida impacta 36 milhões de pessoas

Luís Nassif: Eletrobras: Ministro do TCU interrompe a tacada do século 

Tijolaço: Juros em alta vão nos empurrar mais para baixo

Brasil 247: Barroso admite que Dilma foi vítima de um Golpe de Estado

DCM: Lula quer Alckmin cuidando do agronegócio

Rede Brasil Atual: Brasil tem quase 900 mortes pela covid-19 em um dia, e média é a maior desde agosto

Brasil de Fato: Um ano após fim da Lava Jato, juristas analisam entrada de Moro e Dallagnol para a política

Ópera Mundi: ‘Novo governo de esquerda deve reformar sistema de Justiça’, diz Marco Aurélio de Carvalho

Vi o Mundo: Jeferson Miola: Contra Lula, porta-voz da Globo oferece a Bolsonaro até a impunidade eterna

Fórum: Golpe: Barroso diz que “motivo real” de impeachment de Dilma foi “perda de sustentação política”

Poder 360: Bolsonaro é ruim ou péssimo para 53% e ótimo ou bom para 27%

Congresso em Foco: Congresso Nacional abre trabalhos do Legislativo

New York Times: EUA não se curvarão à Rússia sobre quem pode se juntar à OTAN

Washington Post:  Biden envia 3.000 soldados para reforçar a OTAN

WSJ: Resultados da controladora do Facebook abalam investidores

Financial Times: Tesouro e BoE trabalham em conjunto para evitar 'catástrofe de custo de vida'

The Guardian: Pressão no primeiro-ministro à medida que mais parlamentares conservadores o chamam para ir embora

The Times: Milhões de famílias terão cortes no imposto municipal

Le Monde: Habitação: uma oportunidade perdida

Libération: Vitti eterna

El País: Governo salva a reforma trabalhista com maioria alternativa

La Vanguardia: Reforma trabalhista será aprovada sem a maioria do legislativo

Clarín: Guerra entre traficantes na região: cocaína adulterada mata 20 pessoas

Página 12: A hipótese dos investigadores da cocaína adulterada

Granma: Sessenta anos da proclamação que formalizou o criminoso bloqueio econômico dos EUA contra Cuba

Diário de Notícias: Paulo Rangel pondera voltar a tentar liderança do PSD

Público: Estado não vai indenizar EDP por ter proibido a produção nas barragens

Frankfurter Allgemeine Zeitung: Ei, eu estou indo para a janela

Süddeutsche Zeitung: Pandemia: Europa se abre, Alemanha debate

The Moscow Times: Kremlin confirma que Kadyrov da Chechênia conheceu Putin em meio a escândalo de 'decapitação'

Global Times: China e Rússia são 'estabilizadores para um mundo desafiador', reunião de Xi-Putin para abordar questões críticas

Diário do Povo: China fará o possível para entregar Jogos Olímpicos de Inverno "agilizados, seguros e esplêndidos", diz Xi

Moïse Mugenyi Kabagambe, espancado até a morte em quiosque na orla do Rio, não foi vítima só da violência, mas também da negligência

 

O imigrante congolês Moïse Mugenyi Kabagambe, espancado até a morte em quiosque na orla do Rio, não foi vítima só da violência, mas também da negligência. Em depoimento à Polícia Civil, um casal disse ter alertado dois guardas municipais sobre a agressão, mas estes não tomaram qualquer atitude. Ontem, a Justiça decretou a prisão dos acusados do crime, que já estavam detidos. (Globo)

Parentes de Kabagambe e advogados que apoiam a família acusam a Polícia Civil de omissão. Segundo eles, as investigações só avançaram após a repercussão do caso. A família também se disse intimidada por uma dupla de PMs que esteve no local do crime em três diferentes ocasiões. (Folha)

Uma das cenas mais covardes do vídeo com a agressão é quando o congolês já estava desacordado, e um homem começa a bater nele com um pedaço de madeira. O agressor, Aleson Cristiano, que está preso, disse à polícia que bateu para “extravasar a raiva”. (g1)

Cora Rónai: “De qualquer ângulo que se olhe, a situação dos habitantes do Congo é moralmente inaceitável. Não deveria ser difícil para um país ser melhor do que isso — mas o Brasil falhou, e traiu Lotsove Lolo Lavy Ivone. Ver o filho de 24 anos morto a pauladas não era para acontecer aqui, o país bom, o lugar de refúgio. Que vergonha do Brasil, este país onde não há refúgio para nenhum rapaz preto e pobre.” (Globo)




O Brasil atingiu nesta quarta-feira a vacinação completa de mais de 70% da população. O total de brasileiros com duas doses ou dose única da vacina Janssen chegou a 150.416.056, 70,2%. A distribuição, porém, é desigual. São Paulo tem o maior percentual com o ciclo vacinal completo, 79,47%, enquanto o Acre tem 51,75%. (OUL)

Por outro lado... Com as 946 mortes por covid-19 registradas ontem, a média móvel em sete dias foi a 653, a maior desde 31 de agosto do ano passado, com alta de 178% em relação ao período anterior. E, pela primeira vez desde 12 de janeiro de 2021, nenhum estado apresentou tendência de queda nas mortes. (g1)




O desmatamento na Amazônia Legal em janeiro foi o maior para o mês desde 2015, início da série histórica, segundo dados parciais do Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe). Em apenas 21 dias, foram destruídos 360 km2 de matas. (Metrópoles)




“Os ensinamentos da Igreja Católica sobre homossexualidade têm fundamentos científicos e sociológicos que já não são mais corretos”, disse o cardeal arcebispo de Luxemburgo, Jean-Claude Hollerich, presidente da Comissão das Conferências Episcopais da União Europeia. Em entrevista à Agência Católica de Notícias de Alemanha (KNA), ele defendeu a revisão da doutrina, em resposta a uma campanha de 125 funcionários da Igreja alemã que assumiram publicamente a homossexualidade. (Infovaticana)

PF acusa Bolsonaro de crime ao vazar investigação sigilosa

 

O presidente Jair Bolsonaro cometeu crime ao vazar, numa live em redes sociais, um inquérito sigiloso da Polícia Federal sobre um suposto ataque hacker ao TSE. Essa é a conclusão da investigação feita pela própria PF sob ordem do ministro do STF Alexandre Moraes. O presidente e o deputado Filipe Barros (PSL-PR), que teria obtido o inquérito, só não foram indiciados por terem foro privilegiado. (g1)

Moraes encaminhou o relatório da PF à Procuradoria-Geral da República e deu um prazo de 15 dias para que esta se manifeste sobre as acusações contra o presidente e o deputado e sobre uma notícia-crime contra Bolsonaro por faltar a um depoimento à PF a respeito dos vazamentos. (Estadão)

Filipe Barros nega ter cometido crime. Segundo o deputado, que era relator da PEC do Voto Impresso, ele teria pedido o inquérito à PF a partir de uma denúncia anônima e não foi informado de que a investigação estava em Segredo de Justiça. Já a PF afirma que o sigilo é padrão de inquéritos. (CNN Brasil)

Malu Gaspar: “As conclusões dos últimos inquéritos da PF sobre os atos de Bolsonaro deixaram a impressão de que ele conta com salvo-conduto para cometer a barbaridade que quiser sem ser incomodado. A primeira investigação buscava saber se prevaricou ao não tomar providência sobre as denúncias dos irmãos Miranda, que o procuraram para relatar irregularidades na compra de vacinas pelo Ministério da Saúde. A segunda apuração investigou Bolsonaro por usar sua live para vazar um inquérito sigiloso da própria PF. William Tito, que passou seis meses apurando a denúncia de prevaricação, construiu uma argumentação tortuosa. Segundo ele, Bolsonaro não está sujeito ao artigo do Código Penal que define a prevaricação. Denisse Ribeiro, que cuidou da apuração sobre a live, fez diferente: afirmou que houve crime, mas disse que não pedia o indiciamento do presidente porque uma parte do Supremo entende que a PF não pode indiciar por conta própria autoridades com foro privilegiado. As duas investigações vão passar pelo crivo do protetor… ops, procurador-geral da República, Augusto Aras — ou seja, serão enterradas. Se o STF não se mexer, dificilmente haverá consequências.” (Globo)




O presidente Jair Bolsonaro (PL) conseguiu encurtar a distância que o separa do ex-presidente Lula (PT) num eventual segundo turno. Segundo pesquisa do PoderData, Lula venceria por 54% a 37%. Enquanto o petista ficou estável, Bolsonaro cresceu cinco pontos, fora da margem de erro. Na simulação de primeiro turno, Lula recuou de 42% para 41%, enquanto o presidente foi de 28% para 30%, dentro da margem. Sérgio Moro (Podemos) caiu de 8% para 7% e ficou empatado com Ciro Gomes (PDT), que subiu quatro pontos. João Doria (PSDB) e André Janones (Avante) têm 2% cada, e Simone Tebet (MDB), Rodrigo Pacheco (PSD) e Alessandro Vieira (Cidadania), 1%. (Poder360)




O acordo para que o ex-governador Geraldo Alckmin (sem partido) seja vice na chapa petista incluiria sua nomeação para o Ministério da Agricultura, segundo fontes ligadas a ambos. Alckmin repete que não aceitaria ser um “vice decorativo” e vem trabalhando para aproximar o ex-presidente do agronegócio. (Estadão)

Também por conta da aliança com Alckmin, Lula reforçou em conversas com aliados o compromisso com a candidatura de Fernando Haddad (PT) ao governo paulista. É um recado a Guilherme Boulos (PSOL) e Márcio França (PSB), que buscam o mesmo cargo. (Folha)




Líderes do Centrão no Congresso reagiram à iniciativa da Controladoria-Geral da União (CGU) de mapear as indicações políticas a cargos no Executivo e divulgá-las no portal da transparência, por sugestão do ministro da Economia, Paulo Guedes. “O ministro deveria estar falando sobre controle da inflação, sobre política de preços dos combustíveis, sobre a taxa de juros”, disse um dos parlamentares. (Globo)




O Instagram proibiu temporariamente que a deputada bolsonarista Bia Kicis (PSL-DF) faça transmissões ao vivo em seu perfil na rede social. A informação foi dada pela própria parlamentar, que classificou a proibição como censura. Já a empresa disse apenas que “repetidas violações às Diretrizes da Comunidade do Instagram podem levar a restrições temporárias na conta”. (UOL)

Aliás... O YouTube removeu 233 vídeos em canais de direita no Brasil em 2021, principalmente por desinformação sobre a pandemia. Com 34 publicações banidas, o canal do presidente Jair Bolsonaro lidera a lista. (Metrópoles)

terça-feira, 1 de fevereiro de 2022

Como se a variante ômicron já não estivesse fazendo estrago suficiente, um estudo na Dinamarca indica que uma subvariante dela, chamada BA.2, é ainda mais infecciosa

 

Ainda sob o risco de novos temporais, bombeiros e voluntários procuram pelos desaparecidos nos deslizamentos que atingiram várias cidades de São Paulo ao longo do domingo. De acordo com os números oficiais do início da noite de ontem, 24 pessoas morreram em todo o estado, oito delas em Franco da Rocha. A situação pode ser pior. Segundo o prefeito Nivaldo Santos, há pelo menos dez desaparecidos no município. Há pelo menos 660 famílias desabrigadas ou desalojadas. (g1)

A situação é grave. Só nos 38 municípios da Grande São Paulo há por baixo 132 mil imóveis em áreas de risco alto e muito alto. E esse número não leva em conta a capital. (Estadão)

Às vezes é a esperança (ou o desespero) que move as pessoas. Katiucia Rodrigues faz parte da equipe de apoio aos voluntários em Franco da Rocha. Para ela, é pessoal. Cinco parentes, incluindo a mãe e dois irmãos, estão desaparecidos. “Não consigo dormir, preciso me ocupar com alguma coisa”, diz. (UOL)

E, infelizmente, a previsão é de mais chuvas fortes em quase todo o estado pelo menos até amanhã, e ainda em partes de Minas, Mato Grosso do Sul e Goiás. (CNN Brasil)




Para ler com calma. “Morávamos em uma região do Congo onde fica a guerra tribal civil entre os hema e os lendu. Somos Hema.” Assim começa o longo depoimento de Ivana Lay ao repórter Rafael Nascimento de Souza. Seu filho, Möise, foi espancado e morto em um quiosque de praia, no Rio de Janeiro, quando cobrou seu salário. “Cinco pessoas bateram nele. Eles quebraram o meu filho. Bateram nas costas, no rosto. Fugi do Congo para que eles não nos matassem. Mataram meu filho aqui como matam em meu país. Mataram o meu filho a socos, pontapés. Mataram ele como um bicho.” (Globo)




Como se a variante ômicron já não estivesse fazendo estrago suficiente, um estudo na Dinamarca indica que uma subvariante dela, chamada BA.2, é ainda mais infecciosa. De acordo com a pesquisa, pessoas infectadas pela BA.2 têm 33% mais chances de transmiti-la que as que contraíram a BA.1, a ômicron original. A subvariante já se tornou dominante no país escandinavo. (Folha)

Enquanto isso... A vacinação de crianças entre sete e 11 anos está suspensa a partir de hoje na cidade do Rio de Janeiro por falta de doses e só será retomada quando o Ministério da Saúde enviar mais vacinas. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, a imunização segue normal para adolescentes com mais de 12 anos, que recebem a mesma vacina da Pfizer que adultos. (UOL)

O Ministério da Saúde pediu ao Instituto Butantan mais dez milhões de doses da CoronaVac, que pode ser usada tanto em adultos quanto em crianças. A instituição paulista tem as vacinas em estoque e deve responder ainda hoje. (Folha)




A Procuradoria-Geral da República denunciou ao STF o ministro da Educação, pastor Milton Ribeiro, por homofobia, crime equiparado ao racismo pelo próprio Supremo. Em entrevista ao Estadão, em setembro de 2020, Ribeiro disse que é opção “andar no caminho do homossexualismo (sic)”, por viver em um contexto familiar “desajustado” e que, segundo “a biologia”, “não é normal questão de gênero”. Para o vice-procurador-geral Humberto Jacques de Medeiros, Ribeiro “discrimina jovens por sua orientação sexual e preconceituosamente desqualifica as famílias em que são criados”. Caberá ao STF decidir se transforma o ministro em réu. (Poder360)




O laboratório americano Moderna iniciou a Fase 1 de testes em seres humanos de uma vacina contra o HIV, o vírus causador da Aids. O imunizante é feito com a mesma tecnologia de RNA mensageiro usada na vacina da empresa contra covid-19. Testes “de conceito” no ano passado mostraram uma resposta imune de 97%, e a Moderna estuda agora uma dose de reforço para aumentar essa resposta. Segundo a OMS, 680 mil pessoas morreram em todo o mundo no ano passado em decorrência do HIV. (CNN Brasil)

PF isenta Bolsonaro de crime no caso Covaxin

 

No que depender a Polícia Federal, o presidente Jair Bolsonaro (PL) não precisa se preocupar com uma das muitas acusações que lhe foram feitas pela CPI da pandemia. Em relatório enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF), a PF concluiu que ele não cometeu crime de prevaricação na compra frustrada da vacina indiana Covaxin e que não era necessário tomar o depoimento do presidente. Em depoimento à CPI, o funcionário do Ministério da Saúde Luís Ricardo Miranda e o irmão dele, o deputado federal Luis Miranda (DEM-DF), disseram ter relatado a Bolsonaro irregularidades na negociação da vacina, que ele prometeu levar a denúncia adiante, o que não fez. De acordo com a PF, não cabe ao presidente comunicar eventuais crimes. (g1)

Então... Se a PF deixou mais feliz o dia de Bolsonaro, a dor de cabeça veio de aliados. Como revelou Lauro Jardim, o procurador-geral da República, Augusto Aras, recomendou que seja mantida a investigação contra o presidente pelo vazamento de uma investigação a respeito de um ataque hacker ao TSE que estava sob segredo de Justiça. E, como conta Malu Gaspar, o ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira, presidente do PP, liberou os diretórios regionais para usarem como quiserem as inserções de TV no primeiro semestre, mesmo que façam críticas ao governo federal. Na Bahia, por exemplo, o partido tem uma aliança sólida com o PT. (Globo)

Aliás... Bolsonaro disse ontem, em entrevista à TV Record, que não prestou depoimento à PF no caso do vazamento por “decisão do advogado”, no caso, o advogado-geral da União, Bruno Bianco. O ministro do STF Alexandre Moraes determinara que Bolsonaro depusesse presencialmente, mas ele alegou “direito de ausência” para não comparecer. (Folha)

Por via das dúvidas, Bolsonaro cancelou a participação, na manhã de hoje, em uma cerimônia virtual de abertura dos trabalhos do STF no ano. (UOL)




O subprocurador-geral do MP junto ao TCU, Lucas Rocha Furtado, pediu ontem o arquivamento da apuração sobre o contrato entre o ex-ministro Sérgio Moro (Podemos) e a consultoria americana Alvarez&Marsal. A investigação apurava possível conflito de interesses, já que a empresa atuou na recuperação de empresas investigadas pela Lava-Jato. Na sexta-feira, Moro fez uma live onde divulgou quanto ganhou durante o ano em que atuou na consultoria e quais atividades desenvolveu. Para Justificar o pedido de arquivamento, Furtado disse que mudara seu entendimento e que não cabia ao TCU investigar contratos privados. (g1)




No campo petista, ontem o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega descartou a possibilidade de participar de um eventual novo governo do ex-presidente Lula. Houve uma reação negativa do mercado e de setores políticos quando Mantega foi escolhido para escrever um artigo com a visão da campanha petista sobre a economia. “Não pretendo voltar. Fiquei no governo por 12 anos seguidos. Já dei a minha parte”, disse ele. Mantega também admitiu erros na condução da economia durante o governo Dilma Rousseff, como a intervenção no setor elétrico. (Folha)

Mas que não se espere de Dilma o mesmo desprendimento. Malu Gaspar nos conta que, em conversa com Lula, a ex-presidente avisou que não vai se esconder na campanha e pretende defender seu governo. (Globo)




Meio em vídeo. Manter viva a ideia de democracia é a luta da nossa geração. Existe uma guerra que vem de fora e que brota de dentro das democracias. Você sabe de que lado está? Confira no Ponto de Partida. (YouTube)




O governo dos EUA está jogando pesado nos bastidores para que os presidentes do Brasil e da Argentina, Jair Bolsonaro e Alberto Fernández, cancelem suas visitas à Rússia. Para Joe Biden, a ida de dois líderes da América Latina a Moscou num intervalo de poucas semanas passaria uma mensagem de apoio à política de Vladimir Putin em relação à Ucrânia. (Folha)

Enquanto isso... O Conselho de Segurança da ONU virou palco de uma batalha retórica entre EUA e Rússia. A embaixadora americana, Linda Thomas-Greenfield, disse que a disposição de tropas russas na fronteira ucraniana ameaça a segurança de toda a Europa, enquanto o russo Vassily Nebenzya acusou os EUA de “histeria diplomática” e de hipocrisia, por ser o país com mais soldados espalhados pelo mundo. Já o embaixador da Ucrânia, Sergiy Kyslytsya, disse que seu país está “pronto para se defender”. (Jornal Nacional)