sexta-feira, 4 de março de 2022

Ministério da Saúde estuda rebaixar a covid-19 de pandemia

 

O Ministério da Saúde estuda rebaixar a covid-19 de pandemia, classificação estabelecida pela OMS, para endemia, quando uma doença é recorrente ou localizada. A informação foi dada pelo presidente Jair Bolsonaro e confirmada por fontes da pasta. Segundo a secretária de Enfrentamento à Covid-19 do ministério, Rosana Leite de Melo, a decisão deve sair em três semanas, após consultas com as secretarias estaduais de Saúde. (Metrópoles)

Para especialistas, a mudança de status da covid-19 seria “arriscada”, “precipitada” e de um “otimismo preguiçoso”. “A endemia se caracteriza quando o número de casos e de óbitos fica muito baixo por um período de mais de 2 meses, pelo menos", argumenta Domingos Alves, cientistas de dados e professor da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP. (g1)

Independentemente de como a covid-19 é classificada, medidas de segurança vêm sendo abandonadas em várias partes do país. Ontem, o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), anunciou o fim da obrigatoriedade de máscaras em locais abertos. Já o paulista João Doria disse que a medida está sendo estudada pelo comitê científico do governo de São Paulo. (UOL)

E pela primeira vez desde janeiro a média móvel de mortes por covid-19 ficou abaixo de 500. Na quinta-feira foram registrados 594 óbitos, o que levou a média a 451, o que representa um recuo de 46% em relação ao período anterior, confirmando a tendência de queda. (g1)




A geração de eletricidade a partir de energia solar no Brasil ultrapassou a potência de 14 GW, superando a potência instalada da usina hidrelétrica de Itaipu, segundo a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR). Esse número leva em conta 9,4 GW gerados por instalações de pequeno porte, como painéis solares em telhados de casas, e 4,7 GW de usinas de grande porte. E a expectativa é que a potência instalada cresça 90% este ano. (Portal Solar)

E morreu no Rio de Janeiro, aos 80 anos, o engenheiro nuclear e físico Luís Pinguelli Rosa. Considerado um dos maiores especialistas em energia do país, ele foi presidente da Eletrobrás entre 2003 e 2004 e diretor da Coppe/UFRJ. Pinguelli passou mais de um mês internado com covid-19. (CNN Brasil)




Um dos mais famosos monumentos megalíticos do mundo, o círculo de pedras de Stonehenge, na Inglaterra, era um preciso calendário solar. Erguido entre 3000 e 2000 a.C. na Planície de Salisbury, o círculo marca um ano solar com 12 meses de 30 dias e um “mês extra” de cinco, perfazendo os 365 dias. Segundo estudo de Timothy Darvill, professor de arqueologia da Universidade de Bournemouth, as pedras externas permitiam aos antigos habitantes estabelecer com precisão até a ocorrência de anos bissextos. (UOL)

Mesa de negociação

 


Orlando Pedroso

Mesa de negociação 72




Rússia toma a maior usina nuclear da Europa

 

Além do horror da guerra, o mundo viveu durante a madrugada o temor de um desastre nuclear na Ucrânia. Após horas de combate, tropas russas tomaram a usina atômica de Zaporíjia, a maior da Europa. Mais cedo, o prefeito da cidade vizinha de Energodar disse que parte da usina estava em chamas devido a um ataque da artilharia russa. Agências de energia nuclear de todo o mundo passaram a noite monitorando os níveis de radiação na área, mas nenhum vazamento foi detectado, e o fogo, que teria atingido uma instalação de treinamento, foi contido. Autoridades locais ucranianas confirmaram a tomada, mas disseram que as equipes da usina seguem trabalhando para garantir o funcionamento e a segurança. Zaporíjia fornece um quinto de toda a energia consumida na Ucrânia. (Reuters)

Enquanto isso... O segundo dia de negociações entre representantes da Ucrânia e da Rússia terminou sem a perspectiva de um cessar-fogo, embora os dois lados tenham concordado em estabelecer corredores humanitários para a saída de civis ou seu abastecimento com víveres. Diante desse impasse e do recrudescimento da ofensiva russa, o presidente ucraniano Volodymyr Zelenski conclamou Vladimir Putin a uma negociação direta. Ao mesmo tempo, pediu que OTAN estabeleça uma zona de exclusão aérea sobre a Ucrânia, o que não deve acontecer. (CNN)

Igualmente improvável é Putin aceitar uma negociação direta. Ontem, após se reunir por teleconferência com o Conselho de Defesa da Rússia, ele fez um pronunciamento para dizer que a “operação militar especial”, eufemismo russo para a invasão, “segue de acordo com os planos”. Sem apresentar provas, ele acusou a Ucrânia de usar civis como “escudos humanos” e tomar “milhares de estrangeiros como reféns”, além de insistir em sua tese de que os ucranianos são, na verdade, russos e afirmar que acabará com o “regime anti-Rússia” instalado pelo Ocidente na Ucrânia. (BBC)

Putin fez as mesmas acusações durante a conversa de uma hora e meia que teve por telefone com o presidente francês Emmanuel Macron, um dos poucos interlocutores que lhe restaram nos países europeus. Em resposta, o russo ouviu que deveria “parar de inventar histórias para si mesmo” e que estava cometendo “um sério erro”. Após a conversa, porém, Macron fez uma avaliação pessimista: “Acreditamos que o pior ainda está por vir.” (Politico)

Além dos bombardeios, a guerra de informações segue intensa. Ontem, o Kremlin precisou negar formalmente que esteja nos planos a decretação de lei marcial na Rússia. Milhares de russos estariam deixando o país devido a rumores de que as fronteiras seriam fechadas e do temor de repressão a protestos contra a guerra. (Guardian)

Como parte do esforço diplomático para isolar a Rússia, o premiê britânico Boris Johnson telefonou ontem para o presidente Jair Bolsonaro, dizendo que o Brasil foi um “aliado vital” na Segunda Guerra e que a voz do país se mostra crucial para a solução da crise. Segundo a assessoria de Johnson, os dois concordaram em pedir um cessar-fogo. O Palácio do Planalto não comentou a conversa. (g1)




Michael Mazarr, cientista político da Rand Corporation : “As ações russas criaram uma situação onde não há agora uma saída real além de alguma forma de mudança no governo em Moscou. Se, por exemplo, você sabe que Putin não vai recuar de sua aparente intenção de controlar partes significativas da Ucrânia, senão toda a Ucrânia, não vejo espaço para nenhum tipo de acordo negociado para essa guerra. E, nesse caso, com todas as sanções que foram postas em prática, não apenas os Estados Unidos, mas também outros países têm efetivamente uma demanda de fato por uma mudança na liderança política russa.” (Globo)




Os mapas usados na mídia de todo o mundo dão a entender que, após oito dias, a Rússia já controla grandes extensões do território ucraniano, mas essa visão é real? Em um fio detalhado, o historiador Mateusz Fafinski, da Universidade Livre de Berlim, explica que, fora a Crimeia e as províncias separatistas do Leste, as áreas destacadas nos mapas indicam a presença de tropas russas, mas não seu domínio. Na mesma linha, o general aposentado Mark Hertling explicou na CNN que, quanto mais as forças russas se afastam de suas bases, maiores os problemas de reabastecimento de munição e alimentos e mais difícil é o domínio. “Eles não controlam chongas”, resumiu. (Twitter)

Para ler com calma. O vídeo de um míssil sendo lançado na Ucrânia eram, na verdade, da Turquia. A foto de caças russos “sobrevoando Kiev” foi feita numa exibição militar em Moscou. Jornalistas dos principais veículos de comunicação do mundo estão usando técnicas de perícia forense para identificar o que é falso e o que é verdadeiro nas imagens da guerra. (Washington Post)




Meio em vídeo. É difícil escolher em que lado estar na Segunda Guerra Mundial? Também não é difícil escolher o lado nesta guerra. Esqueçam Estados Unidos ou mesmo a OTAN. A invasão da Ucrânia mexe com todo mundo, inclusive nós aqui no Brasil. E o que existe de real é simples: a maior potência nuclear do planeta invadiu o vizinho que abriu mão de todo seu arsenal nuclear faz trinta anos. Abriu mão para não ser atacado. Confira o Ponto de Partida. (YouTube)




Embora criticando o montante, os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiram ontem, por 9 votos a 2, manter o Fundo Eleitoral de R$ 4,9 bilhões aprovado pelo Congresso para o pleito deste ano. O relator André Mendonça considerou o valor inconstitucional, mas foi acompanhado apenas pelo ministro Ricardo Lewandowski. Todos os demais argumentaram que o estabelecimento do fundo é prerrogativa do Legislativo, não cabendo ao Judiciário intervir. (Poder360)




A primeira federação de partidos está em vias de sair do papel. Por unanimidade, Executiva Nacional do PSDB delegou ao presidente da legenda, Bruno Araújo, a tarefa de consolidar a aliança com o Cidadania, que já aprovou a medida. Uma vez formalizada a federação, os dois partidos vão funcionar como um só durante quatro anos. (CNN Brasil)

quinta-feira, 3 de março de 2022

O Brasil ultrapassou nesta quarta-feira a marca de 650 mil mortos por covid-19

 

O Brasil ultrapassou nesta quarta-feira a marca de 650 mil mortos por covid-19, embora os números diários ainda estejam subnotificados em função do feriadão do carnaval. De acordo com o consórcio de veículos de comunicação, foram registrados 335 óbitos, levando o total a 650.052 e fazendo uma média móvel de 509 mortes, com queda de 39% em relação ao período anterior. (g1)

E o Comitê Especial de Enfrentamento à Covid-19 da prefeitura do Rio vai discutir na próxima segunda-feira o fim da obrigatoriedade do uso de máscaras em locais abertos. (UOL)




A pandemia de covid-19 teve um efeito devastador sobre o aprendizado de matemática dos alunos de ensino médio da rede estadual paulista. Segundo estudo da própria Secretaria de Educação, 96,6% desses estudantes terminaram a escola com desempenho insuficiente na matéria. Em média, a defasagem chega a quase seis anos, com o aluno terminando o terceiro ano com o conhecimento previsto para o sétimo ano do ensino fundamental. “Aquilo que já era ruim ficou pior”, admitiu Rossieli Soares, secretário de Educação de São Paulo. (g1)




Morreu ontem nos EUA, aos 92 anos, Autherine Lucy Foster, primeira aluna negra da Universidade do Alabama, um dos mais racistas estados do Sul. Em 1956 ela conseguiu na Justiça o direito de ingressar na instituição, mas foi atacada por uma turba e expulsa pela direção, por “questões de segurança”, três dias depois. Desde então, dedicou-se à luta pelos direitos civis. Sua última aparição pública foi na semana passada, na universidade da qual foi expulsa, para reinaugurar o prédio da Faculdade de Educação, que agora leva seu nome. (AL.com)

Isolado pelo mundo, Putin encara baixas altas nas tropas

 

O isolamento do presidente russo Vladimir Putin ficou claro ontem com a aprovação, na Assembleia Geral da ONU, de uma resolução “deplorando” a invasão da Ucrânia. Embora o termo tenha sido suavizado e a decisão não tenha efeito no mundo real, o placar não deixou dúvidas. Foram 144 votos a favor, incluindo EUA, os países da União Europeia e o Brasil, e apenas cinco contra – a própria Rússia, Belarus, que está servido de base para as tropas de Putin, Síria, Coreia do Norte e Eritreia. Potências como a China e Índia estão entre os 35 países que se abstiveram. (g1)

Em Haia, o procurador do Tribunal Penal Internacional (TPI), Karim Khan, disse que vai atender ao pedido de 39 países e abrir uma investigação contra a Rússia por possíveis crimes de guerra cometidos na Ucrânia. Moscou se desligou do TPI em 2016, após a corte classificar a anexação da Crimeia, até então parte da Ucrânia, como uma ocupação. (CNN Brasil)

No cenário interno, o número alto de mortes entre as tropas russas – oficialmente 498 soldados – em uma semana já preocupa analistas militares e põe em risco o apoio doméstico à invasão. Para fins de comparação, ao longo de 20 anos, os EUA perderam 2.500 militares no Afeganistão. (Globo)

Seja ou não um reflexo desses fatos, a Rússia mudou o tom. Em entrevista, o ministro das relações exteriores, Sergei Lavrov, reconheceu o presidente Volodymyr Zelenski como líder legítimo da Ucrânia e disse que os negociadores de Moscou estão prontos para mais uma rodada de conversas com representantes ucranianos. O novo encontro entre as partes acontece hoje em Belarus. (CNN Brasil)

As declarações de Lavrov, porém, não vieram acompanhadas de moderação militar. O prefeito de Kherson admitiu no fim da tarde de ontem que as tropas russas haviam tomado o controle da cidade portuária, uma das mais importantes portas de entrada de mercadorias na Ucrânia. (UOL)

Enquanto isso... Civis na capital Kiev fazem treinamento com armas e cavam trincheiras, diante da aproximação de uma coluna de veículos militares russos. Um dos temores é que já haja sabotadores da Rússia atuando dentro da cidade. (Estadão)

Não é só em Kiev que civis estão mobilizados. O jornal online Euromaidan Press publicou um vídeo no qual centenas de ucranianos bloqueavam pacificamente a estrada que dá acesso à usina nuclear de Enerhodar. Segundo o fio no Twitter, tropas russas tentaram sem sucesso furar o bloqueio por três vezes. A maioria da população local é de origem russa, o que pode explicar em parte a moderação dos soldados. (Twitter)

Diz o ditado que a primeira vítima numa guerra é a verdade, e esta não é exceção. Informações falsas e vídeos e fotos fora de contexto ou antigas seguem viralizando na internet. (BBC Brasil)

Circulou forte entre economistas um fio do professor russo radicado na Espanha Maxim Mironov. Escrito em sua língua natal, foi traduzido para o inglês. “É minha conclusão científica, como professor de finanças com PhD na Universidade de Chicago, que a economia da Rússia está fodida”, ele escreve. “Os russos não têm ideia do que virá. As lojas começarão a ter falta dos produtos mais básicos. A Rússia está pesadamente integrada à economia global e os maiores operadores já começaram a recusar o envio de contêineres. A Rússia de fato construiu muitas fábricas, mas elas dependem de componentes importados. Os aviões vão parar de voar, pois dependem de peças importadas. Mesmo na agricultrura, o país importa 40% de suas sementes. A única vantagem é que aqueles que que têm saudades da URSS poderão sentir como era viver nela. E não será a URSS herbívora de Kurschev/Breznev/Gorbachev, mas aquela na qual um ditador insano está no comando.” (Twitter)

Para ler com calma. A invasão russa provocou um êxodo sem precedentes de ucranianos, especialmente em direção à Polônia — o total passa de um milhão. Mas há um movimento na contramão, com voluntários de outros países tentando entrar na Ucrânia para resgatar pessoas ou mesmo se juntar aos soldados e civis que enfrentam os russos. (New Yorker)

Para ver com calma. “Desde 1945 não há um choque entre superpoderes. Desde 1945, nenhum país reconhecido desapareceu do mapa por invasão externa. Até lá, era uma coisa comum na história. Aí parou. E esta é a base para nossos sistemas de Saúde, de Educação”, explica em uma entrevista ao TED o historiador israelense Yuval Noah Harari. Ao parar de gastar com grandes guerras, nossos investimentos mudaram o mundo. “Se começamos a acreditar que não houve uma era de paz, que esta é simplesmente uma lei da natureza, então podemos concluir que não adianta lutar por paz. Que não adianta responsabilizar líderes como Putin. Quando você compreende que humanos somos capazes de diminuir o nível de violência, isto nos torna mais responsáveis. Isto nos permite compreender que a guerra na Ucrânia, agora, não é um desastre natural. É um desastre provocado pelo homem. Por um único homem.” Confira a íntegra. (YouTube)




Caiu para 8 pontos a diferença entre o ex-presidente Lula (PT) e o presidente Jair Bolsonaro (PL) na simulação de primeiro turno divulgada ontem pelo PoderData. Em relação ao levantamento anterior, Lula ficou estável em 40%, enquanto Bolsonaro subiu um ponto, dentro da margem de erro, chegando a 32%. Ciro Gomes (PDT) assumiu o terceiro lugar com 7%, embora esteja em empate técnico com Sérgio Moro (Podemos), que caiu para 6%. Ainda filiado ao PSDB, mas namorando o PSD, o governador gaúcho Eduardo Leite entrou na pesquisa com 3%, um ponto a mais que o paulista João Doria, vencedor das prévias tucanas. Nem eventual segundo turno, Lula venceria Bolsonaro por 51% a 37%. (Poder360)

Lula teve ontem uma boa notícia. O ministro do STF Ricardo Lewandowski suspendeu a última ação penal contra o ex-presidente, suspeito de irregularidades na compra de caças suecos, concretizada no governo Dilma Rousseff. A decisão precisa ser confirmada pelo plenário do Supremo. (g1)

Enquanto isso... Os militares ficaram muito irritados com o PT devido a uma charge do general Villas Bôas numa cadeira de rodas veiculada pelo partido numa história em quadrinhos contando a visão da legenda sobre a trajetória de Lula. (Estadão)




Começa hoje e vai até 1º de abril a “janela partidária”, período em que detentores de mandato proporcional que vão concorrer ao pleito de outubro podem trocar de legenda sem perderem o cargo. (Jota)

quarta-feira, 2 de março de 2022

22.078 mortes por covid-19 no Brasil, fevereiro foi o mês com mais óbitos desde agosto de 2020

 

Com 22.078 mortes por covid-19 no Brasil, fevereiro foi o mês com mais óbitos desde agosto de 2020, quando foram registradas 24.088 vítimas. São Paulo registrou cerca de 30% das mortes no período, 6.578. Segundo a epidemiologista Ethel Maciel, professora da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), em geral as pessoas que morreram devido à variante ômicron não se vacinaram ou tinham comorbidades sérias. (g1)

Nesta terça-feira o país registrou 274 mortes por covid-19, perfazendo uma média móvel de 598 óbitos. Distrito Federal, Tocantins e Rio Grande do Sul não divulgaram seus dados. Quanto à vacinação, 155,1 milhões de pessoas tomaram as duas doses, o que equivale a 72,24% da população. (UOL)




Pelo menos 3,3 bilhões de pessoas, quase a metade da população do planeta, já estão “altamente vulneráveis” ao aumento das temperaturas decorrente da ação humana. Essa é a conclusão da segunda parte relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), da ONU, divulgado esta semana. Elaborado por mais 300 especialistas, o documento ressalta que os impactos são desiguais, afetando principalmente os mais pobres. O Brasil é citado no documento como uma das áreas mais sensíveis, devido, além da desigualdade social, ao desmatamento e ao uso intensivo do solo para obtenção de commodities. (g1)




Três universidades americanas foram selecionadas pela Nasa para desenvolverem tecnologias que facilitem a exploração humana da Lua, objetivo do Projeto Ártemis da Agência Espacial dos EUA. As três linhas de pesquisas selecionadas envolvem extração de recursos naturais do solo lunar, construção autônoma a partir desses recursos e desenvolvimento de equipamentos eletrônicos resistentes à temperatura extremamente baixa da Lua. (Archinect News)

Paraquedistas russos tentam controlar segunda maior cidade da Ucrânia

 

O governo ucraniano confirmou que paraquedistas russos entraram em Kharkiv, a segunda maior cidade da Ucrânia, e lutam por seu controle. Durante a terça, o centro urbano já havia sido alvo de um pesado bombardeio, que destruiu a sede do governo local, matando dez pessoas e deixando pelo menos 20 feridos. Já na capital, Kiev, as bombas russas tiveram como alvos a principal antena de TV da cidade, resultando em cinco mortes de civis, e o memorial em homenagem às vítimas ucranianas do Holocausto. O presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, classificou os ataques como terrorismo e acusou o russo Vladimir Putin de crimes de guerra. “Os russos sabiam em quem estavam atirando. Ninguém vai perdoar vocês pelo assassinato do povo ucraniano”, afirmou. (UOL)

Durante esta madrugada, a Rússia chegou a anunciar a tomada de Kherson, uma cidade pequena, porém com alguma importância estratégica. Com 320 mil habitantes, décima-sétima em tamanho no país, é uma plataforma a partir da qual os russos podem chegar a Odessa, o mais importante porto da Ucrânia, além de funcionar como principal fonte de distribuição de água potável no país. Mas, em meio ao nevoeiro da guerra, a notícia não foi confirmada — em sua página no Facebook, o prefeito diz que Kherson está cercada, mas não tomada. (BBC)

A tensão na capital ucraniana é crescente devido à aproximação de um comboio militar russo que já se estende por 64 quilômetros. As tropas de Putin cercam pelo menos nove cidades no país. Zelenski condicionou uma nova rodada de negociações a um cessar-fogo, mas admitiu que, segundo as fontes de inteligência da Ucrânia, os russos planejam novos ataques na madrugada desta quarta-feira. (Metrópoles)

A ofensiva russa não se limita a bombas e tanques. Há pelo menos duas semanas o governo ucraniano vem denunciando ataques cibernéticos a instituições das áreas de segurança e financeira do país. (BBC Brasil)

Em outra frente, Volodimir Zelenski fez ontem um apelo à União Europeia para que se coloque ao lado da Ucrânia. “Provem que estão conosco, provem que não vão nos deixar, provem que vocês são de fato europeus e, então, a vida vai vencer a morte e a luz vai vencer a escuridão”, disse ele, por vídeo, ao Parlamento Europeu, sendo aplaudido de pé. (g1)

Após o discurso, os parlamentares aprovaram o apoio à entrada da Ucrânia no bloco, mas a comissária Europeia para Assuntos Internos, Ylva Johansson, lembrou que o processo de admissão de um novo integrante é longo. (Poder360)

Quem teve uma recepção bem menos calorosa foi o ministro de Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov. Quando ele começou, via internet, a fazer um discurso na Conferência sobre o Desarmamento da ONU, em Genebra, cerca de 100 diplomatas abandonaram o recinto em protesto. Ficaram para ouvi-lo representantes, entre outros, de China, Venezuela, Síria e Brasil. Lavrov acusou a União Europeia de “frenesi russofóbico” e exigiu a retirada de armas nucleares americanas do continente. (g1)

Apesar de ter prestigiado o ministro russo, o governo chinês mudou de tom. Segundo o ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Dmytro Kuleba, Pequim defendeu uma solução pacífica para o conflito, embora o ministro chinês Wang Yi tenha evitado se referir à ação russa como invasão. (CNN Brasil)

“A guerra de Putin foi premeditada e sem provocação.” Foi assim, sem meias palavras, que o presidente americano Joe Biden falou do conflito na Ucrânia em seu primeiro discurso sobre o Estado da União, diante do Congresso dos EUA. “Ele pensou que o Ocidente não responderia. Putin estava errado. Nós estávamos prontos.” Biden arrancou aplausos até de republicanos ao anunciar o fechamento do espaço aéreo americano para aviões russos e o bloqueio de bens de políticos, oligarcas e jornalistas ligados ao presidente russo. “Ao longo da História, aprendemos essa lição: quando ditadores não pagam um preço por suas agressões, eles causam mais caos”, afirmou. (Globo)

Enquanto isso... No Rio de Janeiro, integrantes do Movimento Brasil Livre (MBL) e do Partido da Causa Operária (PCO) saíram no braço diante do consulado da Rússia. O primeiro grupo apoia a Ucrânia no conflito; o segundo, os russos. Três integrantes do PCO foram presos. (UOL)

Paul Krugman: “Antes que Putin invadisse a Ucrânia, eu poderia ter descrito a Federação Russa como uma potência de médio porte lutando acima do seu peso em parte por explorar as divisões e a corrupção ocidental, em parte por manter uma poderosa força militar. Desde então, porém, duas coisas ficaram claras. Primeiro, Putin tem ilusões de grandeza. Segundo, a Rússia está ainda mais fraca do que a maioria das pessoas, inclusive eu, parecia perceber. Putin não é o primeiro ditador brutal a fazer de si próprio um pária internacional. Até onde posso ver, entretanto, ele é o primeiro a fazê-lo enquanto preside uma economia profundamente dependente do comércio internacional.” (Folha)

Jason Stanley, autor de Como Funciona o Fascismo: “Vladimir Putin justificou a invasão da Ucrânia pela ‘desnazificação do país’. Ele é um autocrata fascista que prende oposicionistas e é reconhecido como líder da extrema-direita global. Fascismo é o culto de um líder que promete restauração nacional perante a humilhação por minorias étnicas, religiosas, liberais, feministas, imigrantes e homossexuais. Um ponto central do fascismo europeu é a ideia de que os judeus são agentes da decadência moral. Eleito com mais de 70% dos votos, o presidente ucraniano Volodimir Zelenski é judeu e vem de uma família parcialmente exterminada no Holocausto nazista.” (Guardian)

Para ler (ou assistir) com calma: Timothy Snyder, historiador da Universidade de Yale, é um dos muitos nomes que se põem na contramão do debate a respeito da OTAN. “Precisamos lembrar que o mundo não se resume a Washington e Moscou”, afirmou ontem em entrevista ao programa Democracy Now!, ligado a uma ONG da esquerda americana. “Países soberanos têm o direito de expressar seus desejos e determinar suas políticas externas.” Snyder é talvez um dos maiores especialistas, hoje, sobre como se formam tiranias. É também especialista em União Soviética. “Não havia muito interesse por parte de Europa Ocidental e EUA de expandir a OTAN”, ele continuou. “Mas os países do Leste Europeu que deixavam o comunismo pressionaram para entrar. E nunca houve um acordo entre EUA e Rússia, após 1991, de que isto não aconteceria. O próprio Putin se referia à OTAN, já bem dentro do século 21, como uma aliança defensiva. Ele mudou drasticamente a maneira como se refere à OTAN. Hoje, usa como forma de incitar a população russa. E precisamos diferenciar entre Putin e os russos. É muito difícil perceber, ao menos pelo que encontro nos dados, que a opinião dos russos seja de que o país esteja ameaçado pela Ucrânia em 2022.” A entrevista pode ser assistida ou lida na íntegra. (Democracy Now!)




Presidente da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, a deputada Bia Kicis (PSL-DF) teve a conta no YouTube bloqueada ontem devido à divulgação de notícias falsas sobre a vacinação infantil. A punição vai durar uma semana. Ela já sofreu uma punição semelhante no Instagram. Bia Kicis é investigada pelo STF no inquérito das fake news. (Globo)