Os
jornais brasileiros tratam nas manchetes do dia quatro grandes
assuntos: alta da Selic, IPO do Nubank, epidemia de gripe no Rio e
dinheiro garantido para Auxílio Brasil. Folha: BC eleva juro em 1,5 ponto para 9,25%, maior taxa em 4 anos. Valor: Copom sobe juro para 9,25% e indica nova alta de 1,5 ponto. Estadão: Nubank chega à Bolsa de NY e à B3 como banco mais valioso da América Latina. O Globo: Rio vive epidemia de gripe em meio à escassez de vacina. E El País (Brasil): Congresso garante pagamento do Auxílio Brasil durante o ano eleitoral.
Sobre o efeito da alta da taxa da Selic, vale a leitura da coluna de Luís Nassif no GGN: O choque de juros em uma economia em coma. “Eventual
efeito sobre os juros se dá por vias tortas. Aumentando os juros
internos, aumenta o fluxo de entrada de dólares, para se beneficiar das
taxas. Entrando mais dólares, há uma apreciação do câmbio. Havendo, o
capital financeiro ganha duas vezes: com as taxas de juros internas e
com o fato do dólar, na saída, estar mais barato do que o dólar na
entrada”, aponta. Leia a íntegra ao final deste briefing.
O governo obteve uma grande vitória ontem com o Congresso promulgando a mudança no teto de gastos e liberando R$ 62 bilhões para o Planalto gastar em 2022. Valor observa
que senadores se irritaram e falaram que o presidente do Senado,
Rodrigo Pacheco, descumpriu acordo fechado com os líderes. Ele nega.
Sobre a atuação de Pacheco no imbróglio da PEC do Calote, Fernando Brito comenta no Tijolaço, no artigo A ‘meia PEC’ arruina Rodrigo Pacheco: “O
pré-candidato, que era, como já se disse aqui, ‘sem sal e sem molho’
passou a ser visto como um dos ingredientes do caldo governista que se
tornou o Congresso. Aliás, mais expressamente, como caudatário de Arthur
Lira, o presidente-da-Camara-e-paupara-toda-obra do governismo”.
LULA
Monica Bergamo escreve na Folha que Alckmin estuda suspender filiação ao PSB para facilitar aliança com Lula. “Ex-governador
está sendo aconselhado a evitar que negociação para ser vice fique
atrelada a disputas regionais da legenda com o PT”, revela.
Valor informa que o PSB encaminhou a federação com PT e outras siglas, abrindo caminho para o apoio e fortalecimento da candidatura de Lula à
Presidência. O partido deve referendar decisão em reunião da Executiva
Nacional. Em reunião ontem, em Brasília, 18 presidentes estaduais do
partido se posicionaram favoravelmente à inclusão do PT no arranjo
eleitoral.
Jornais informam que o ministro Luís Roberto Barroso, do STF, validou a lei que criou as federações partidárias.
Ele fixou, porém, o prazo de seis meses antes da eleição, marcada para
outubro do ano que vem, como data-limite para que as siglas oficializem a
união.
No Globo, Lauro Jardim informa que, por causa de Lula, Bolsonaro muda cúpula do Mercosul de presencial para virtual.
Presidente brasileiro ficou irritado quando soube que Fernández, seu
colega argentino, encontrará com o petista amanhã, em Buenos Aires.
O argentino Clarín informa que Bolsonaro virtualizou a reunião de cúpula do Mercosul e, no Brasil, dizem que é por causa da revolta com a chegada de Lula à Argentina. “O
rival político de Bolsonaro participará nesta sexta-feira de um evento
político em Buenos Aires com Alberto Fernández e Cristina Kirchner”, destaca.
O Página 12 anuncia: Tudo pronto para celebrar na Plaza de Mayo o dia da democracia e dos direitos humanos. “Alberto Fernández, Cristina Kirchner e Lula da Silva falarão”,
informa. A mobilização desta sexta-feira pelo Dia da Democracia e
Direitos Humanos terá a presença de mais de 200 mil pessoas. Os
palestrantes principais são o presidente Alberto Fernández, a
vice-presidente, Cristina Fernández de Kirchner, e o ex-presidente do
Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva. O ex-presidente do Uruguai, Pepe
Mujica, também é convidado.
Folha noticia Lula declarando que a situação do Brasil está “encalacrada”, ao citar dados sociais e da economia. Ele falou em “podridão” no país, atacou as elites e se colocou como pré-candidato com “disposição”. “Ex-presidente diz que não poderá voltar ao Planalto para fazer menos do que fez em suas primeiras gestões (2003-2010)”, resume.
Valor informa que Centrão, PT, PSDB e DEM travam PEC da 2ª instância. Partidos trocaram 17 membros de comissão especial para derrotar a PEC, mas houve manobra para evitar que o projeto fosse à votação por conta do alto risco de derrota.
No Globo, reportagem mostra que derrotas em série expõem insegurança jurídica para futuro de processos da Lava Jato. “Ex-presidente
Lula (PT), ex-deputados Eduardo Cunha (MDB) e Henrique Alves (MDB),
além de aliados de Bolsonaro como Arthur Lira (PP-AL), estão entre os
beneficiados pelas anulações”, diz o jornal.
ELEIÇÕES 2022
Sobre a sucessão, Poder 360 publica nova rodada de pesquisa do PoderData mostrando piora na popularidade do governo. Bolsonaro é bom ou ótimo para 22% e ruim ou péssimo para 54%. “Governo é desaprovado por 60% e aprovado por 31%; moradores do Nordeste são os que mais reprovam o presidente”, destaca. Um outro dado da mesma pesquisa: Para 37%, vida piorou com Bolsonaro; 22% veem melhora, diz PoderData “Governo está prestes a completar três anos. Quando tinha um ano e meio, 37% relatavam melhora e 28%, piora”, resume.
Ainda sobre pesquisas, Vera Magalhães observa no Globo um dado que parece ter passado batido entre os comentaristas da última pesquisa Genial/Quaest: a queda da rejeição a Bolsonaro. “Muito
se comentaram os cenários eleitorais da última pesquisa Quaest, mas
pouco se observou a redução da avaliação negativa de Jair Bolsonaro,
consistente e generalizada nos segmentos de renda, escolaridade e sexo e
em quase todas as regiões do país, com exceção do Nordeste”, observa.
Já Maria Cristina Fernandes avalia no Valor que a disputa pela liderança do antipetismo, no retrato da pesquisa Quaest, favorece Bolsonaro e não Moro. “Se
a terceira via, na definição do diretor da Quaest/Genial, Felipe Nunes,
é uma demanda que se mantinha com pouca oferta, o ex-ministro, na
última edição da pesquisa divulgada ontem, mostra que chegou para
preencher esta lacuna. Ainda não há sinais, porém, de que será capaz de
ultrapassar a postulação presidencial à reeleição”, pontua.
Ainda no imbróglio da sucessão, mídia noticia lançamento de Simone Tebet como pré-candidata à Presidência pelo MDB. Ela critica líderes que dividem país. “Em vídeo exibido no evento, senadora ataca Bolsonaro e diz que presidente atua contra o meio ambiente e a ciência”, informa a Folha.
Folha relata que tucanos veem Moro de salto alto na largada da campanha de 2022. “Ex-juiz se encontra com Doria em São Paulo, e seus aliados também criticam o PSDB”,
informa. Segundo o jornal, a busca de um nome que possa tirar
Bolsonaro de um segundo turno contra Lula em 2022 mal começou, mas as
divergências entre os eventuais candidatos já começam a criar arestas em
seus entornos.
Jornais reportam que o plenário do Senado aprovou projeto de lei que prevê a volta da propaganda partidária no rádio e na televisão.
A proposta foi aprovada por 47 votos a favor e 12 contrários. O texto
já havia sido aprovado anteriormente pelos próprios senadores. Ao
tramitar na Câmara, no entanto, a proposta foi aprovada com alterações e
por isso precisou passar por nova votação no Senado. Agora o texto
segue direto para sanção ou veto do presidente Jair Bolsonaro.
DILMA
No Valor, Cristiano Romero investe mais uma vez contra Dilma Rousseff, apontando que não houve golpe contra a ex-presidenta em 2016, que se viu perdendo o mandato por ter infringido leis fiscais.
Nenhuma palavra dele sobre os crimes cometidos por Jair Bolsonaro,
inclusive na questão dos precatórios, ou que governos anteriores também
se valeram de medidas contábeis. O colunista sequer se dá ao trabalho de
repetir ao menos as justificativas apresentadas por José Eduardo
Cardozo no processo de impeachment. Prefere endossar a tese de que Dilma
perdeu as condições políticas de governar e perdeu a Presidência por
ter recorrido a “pedaladas fiscais”.
ÍNDIOS
Folha traz artigo na página 3 denunciando que indígenas isolados no Mato Grosso do Sul podem ser exterminados com o aval da Funai. “Desmatamento, garimpo e instalação de fazendas ilegais ameaçam os piripkura”, escrevem Elias dos Santos Bigio, historiador e indigenista; Leonardo Lenin Santos, indigenista do Observatório dos Direitos Humanos dos Povos Indígenas Isolados e de Recente Contato (Opi); e Tiago Moreira, antropólogo e pesquisador do Programa de Monitoramento de Áreas Protegidas do Instituto Socioambiental.
“Interesses para
a exploração mineral na região da terra indígena somam-se às ameaças aos
indígenas. Em levantamento realizado pela Opan (Operação Amazônia
Nativa) sobre a existência de pedidos de licença para lavra
garimpeira na Agência Nacional de Mineração, foi observado um aumento
gigantesco no período de 2018 a 2021, da ordem de 820%”, diz o texto.
JUDICIÁRIO
Na Folha, Conrado Hübner Mendes traz violento artigo, atacando os privilégios do Judiciário brasileiro. Ele ironiza sobre a votação aberta do prêmio JusPorn Awards 2021. “A magistocracia de pouco estudo vende a dignidade, mas não perde a solenidade”, alfineta. “Esse
estrato mais privilegiado do Estado, nunca incomodado por reformas
administrativas e sacrifícios fiscais, nunca responsabilizado por suas
orgias e sacanagens, merecia prêmio que fizesse jus à sua lascívia. Essa
classe de epiderme delicada e elevado senso de autoimportância esbanja
mérito”.
BRASIL NA GRINGA
New York Times dá
ampla reportagem na página 10 sobre a Cúpula pela Democracia,
iniciativa da Casa Branca que está atraindo duras críticas por questões
internas e pela lista de convidados. “Biden reúne democracias globais enquanto os EUA chegam a uma ‘fase difícil’”, destaca o jornal. “O
Brasil, a maior — mas cada vez mais autoritária — democracia da América
Latina, também não foi convidado; nem o Egito, Arábia Saudita ou
Emirados Árabes Unidos”, aponta.
O britânico The Guardian informa que a raiva cresce no Brasil, quando Bolsonaro permite que visitantes não vacinados entrem no país. “Há temores de que a decisão reverta os ganhos de uma campanha de vacinação bem-sucedida”, escreve o correspondente Tom Phillips. “O
governo brasileiro foi acusado de tentar transformar o país
sul-americano em um paraíso para turistas não vacinados, depois de
evitar ligações — inclusive de seu próprio órgão regulador de saúde —
para exigir prova de vacinação dos visitantes”.
O jornal lembra que o país que já perdeu mais de 615 mil vidas no surto da Covid e Bolsonaro é acusado de agir de maneira catastrófica. “‘Este
governo tem as políticas, a cara e o fedor da MORTE’, tuitou a política
de esquerda Mônica Francisco, uma das muitas brasileiras que defendem
regras mais rígidas para retardar a disseminação da variante Omicron”, informa.
O espanhol El País noticia que Bolsonaro lança seu salário contra a pobreza, Auxilio Brasil, de olho nas eleições. O relato da correspondente Naiara Galarraga Gortázar,
de Sobral, no Ceará, diz que as novas bolsas, que substituem o
bem-sucedido Bolsa Família promovido pelo PT, dobram os benefícios e
pretendem atingir 20 milhões de brasileiros. “O processo de garantir
o financiamento em um momento em que as contas públicas brasileiras
estão seriamente afetadas pela pandemia tem sido extremamente árduo para
o governo”, relata.
O francês Le Monde noticia o IPO do Nubank na Bolsa de Nova York. Nubank: A loucura da fintech é o último território da revolução digital. “A
Nu Holdings, controladora da fintech brasileira, invadiu Wall Street na
quinta-feira, 9 de dezembro, e está avaliada em US$ 40 bilhões”, relata. Do pagamento à moeda, o setor está virando o mundo do dinheiro de cabeça para baixo, observa Philippe Escande, colunista de economia do jornal.
INTERNACIONAL
Na mídia estrangeira, New York Times destaca em manchete que a Pfizer afirma que sua vacina oferece forte proteção contra Omicron. “A
descoberta da empresa é baseada apenas em um pequeno estudo de amostras
de sangue em um laboratório, mas outros certamente o seguirão”, relata.
Wall Street Journal também dá como assunto principal: Pfizer afirma que o Omicron pode ser neutralizado por vacina, mas a variante pode escapar de duas doses. “Pfizer
e BioNTech disseram que uma terceira dose de sua vacina Covid-19
neutralizou a variante Omicron em testes de laboratório, mas que o
regime de duas doses foi significativamente menos eficaz no bloqueio do
vírus”, reporta.
Washington Post alardeia que Senado vota para revogar a política de teste e vacina de administração de Biden. “Os
legisladores republicanos — apoiados por dois democratas — votaram pela
reversão das regras. A medida enfrenta grandes adversidades na Câmara
e, se for tão longe, um certo veto do presidente”, informa.
A imprensa inglesa trata da decisão
do primeiro-ministro Boris Johnson de acionar um Plano B para a
Inglaterra depois que o escândalo da festa de Natal engolfou o o governo. Esta é a manchete do Guardian. O
jornal diz que o primeiro-ministro tentou “acalmar o furor” quanto às
críticas se desculpando. Os parlamentares vão votar as novas medidas
para a Inglaterra na próxima semana, com uma rebelião substancial sendo
esperada.
A raiva está apodrecendo o país por causa das alegações de que houve várias festas em Downing Street durante o bloqueio, diz o Financial Times. O
jornal afirma que Johnson “revelou novas restrições ao coronavírus” em
uma entrevista coletiva. Conservadores descrevem o anúncio como “tática
diversionista”. O sisudo Times é direto na manchete: Primeiro-ministro ordena o retorno ao trabalho de casa. |