quarta-feira, 2 de junho de 2021

Deu na Imprensa - 02/06/2021

 

Nos jornalões, a alta do PIB é comemorada em tom ufanista como se o país estivesse retornando ao eixo do desenvolvimento. Dos quatro jornalões, só a Folha e O Globo destoa, apontando que PIB sobe e volta ao pré-Covid, mas ganho não chega a pobres, enquanto o diário carioca lembra que desemprego ainda resiste. Valor e Estadão celebram o feito e projetam otimismo. Diz o diário financeiro na manchete de primeira página: PIB forte leva a projeções de crescimento acima de 5%. E o outro: PIB trimestral surpreende e previsão para ano chega a 5,5%. Já a edição brasileira do El País foca na política: Planalto omite de CPI agenda que mostraria aglomerações de Bolsonaro em Brasília.

O presidente Jair Bolsonaro comemora: "Lamentamos as mortes, mas, apesar de tudo, o Brasil vai bem", disse. Ao admitir que estava sendo filmado rindo, presidente reagiu: "Se a gente não tentar ser feliz, vai esperar o quê? O PIB do primeiro trimestre teve crescimento de 1,2% em relação ao trimestre anterior, segundo o IBGE. O outro tema do dia é o anúncio do presidente de que a Copa América será realizada em quatro cidades brasileiras, causando alvoroço na imprensa internacional, que adverte para a decisão ser tomada em meio ao agravamento da pandemia no país – leia mais em Brasil na Gringa neste briefing.

A euforia do mercado financeiro, que fechou o dia em alta e recorde na B3 – Ibovespa fechou aos 128.267 pontos, alta de 1,63%; já o dólar caiu 1,49%, a R$ 5,146, menor patamar desde dezembro – se espalha pelas páginas do Valor e do Estadão, mais estridentes com os resultados obtidos do PIB. 

Em artigo na Folha, o ex-ministro Nelson Barbosa diz que a recuperação da economia, por um lado, foi vigorosa; por outro, vulnerável. "Na comparação com o mesmo período de 2020, houve queda de 0,8% nos serviços, provavelmente devido ao arrocho fiscal e aos efeitos da segunda onda da Covid sobre a prestação de serviços pessoais nas cidades", diz. "Não há como ignorar que a recuperação econômica está bem desigual, entre setores, entre regiões e, sobretudo, entre ricos e pobres. A queda do consumo das famílias é preocupante, mas isso pode ser atenuado com o auxílio emergencial, que voltou a ser pago a partir de abril".

Dos colunistas, Vinícius Torres Freire é dos poucos a pintar um cenário mais realista e menos rosáceo sobre o futuro do país, na Folha: PIB foi muito bem, mas povo miúdo ainda vai mal. "Há indícios de que pode não haver tombo no segundo trimestre, prejudicado pelos horrores da chamada 'segunda onda' da epidemia. Abril foi ruim, mas há sinais de que a recuperação de maio foi forte. A confiança de empresários e consumidores aumentou. O crédito, o total de empréstimos bancários, aumenta. Emprego e renda vão mal, mas despioram e tendem a despiorar um pouco mais com o avanço da vacinação, um progresso assassino de lerdo, mas que terá efeitos visíveis no segundo semestre", aponta.

No Globo, Zeina Latif escreve sobre o PIB de cada um e faz uma leitura semelhante: "Se a leitura do PIB não é grandes coisas, a sensação térmica de importante parcela da população é pior ainda. O PIB aumenta, mas não o bem-estar de muitos, pois as atividades econômicas que mais sofrem com a crise são justamente aquelas que empregam mão de obra menos qualificada e informais. Para piorar, as exigências tecnológicas impostas pela pandemia destroem empregos", resume. "O governo celebra os números do PIB, mas Paulo Guedes compreendeu bem que nem todos participam dessa festa. Não à toa promete mais políticas de transferência de renda até a eleição".

No Estadão, Fábio Alves diz que a sensação nas ruas é diferente do otimismo dos economistas: "A percepção é, realmente, de que a economia está se recuperando, mas, em termos de sensação da população nas ruas, não haverá diferença entre um crescimento entre 3,0% e 3,5% que todo mundo esperava na virada do ano para uma expansão de 5,0% em 2021 de algumas projeções agora", diz Luiz Felipe Laudari, diretor de investimentos da Mauá Capital. "É um efeito mais matemático do que, de fato, um crescimento mais acelerado". Segundo ele, a taxa de desemprego de 14,7% no trimestre até março, se ajustada para a população economicamente ativa histórica, com base na taxa de participação histórica, seria, na realidade, de 21%. "É possível imaginar a economia ganhando tanta tração com essa taxa elevada de desemprego?", argumenta. 

Folha reforça a posição de cautela apontando que o novo boom das commodities é responsável pela alta do PIB. E o peso do agronegócio no PIB subiu de 5% para quase 7%. Além disso, analistas veem alta maior do PIB em 2021, mas alertam para Covid e falta de energia podem atrapalhar o desempenho da atividade econômica. Para colocar um pouco de realidade nas manchetes ufanistas, vale lembrar que, com atraso na vacinação, Brasil perde sete posições em ranking do PIB de 50 países. Jornais reportam que o ritmo de vacinação contra a Covid-19 no Brasil caiu 16% em maio. 

Na política, o tema quente do dia foi a ida da médica Nise Yamaguchi à CPI da Covid para prestar depoimento. Ela tentou proteger Bolsonaro, mas acabou desmascarada pelas mentiras. Nise contradisse a Anvisa e o ex-ministro Luiz Henrique Mandetta sobre a mudança na bula da cloroquina, mas confirmou reuniões com Bolsonaro por tratamento precoce. O Globo elenca oito contradições de Nise na CPI.

Ainda na política, Folha reporta que organizadores falam em ampliar atos de protesto contra Bolsonaro para fora da esquerda, mas veem resistências. Grupos que lançaram manifestos suprapartidários pela democracia em 2020 deixam participação a critério de cada membro, mas MBL e Vem Pra Rua não aderem. Movimentos sociais, estudantis e sindicais, além de partidos de esquerda estiveram por trás das manifestações que levaram milhares de pessoas às ruas em 210 cidades do Brasil e em 14 países.

Outro assunto na agenda dos jornais é o agravamento da crise entre as Forças Armadas e Bolsonaro. O presidente nomeou o ex-ministro Eduardo Pazuello, general de três estrelas da ativa e investigado pelo Exército por indisciplina, a ocupar o cargo de secretário de Assuntos Estratégicos da Presidência da República. A nomeação é vista como uma provocação do presidente às FFAA. 

Elio Gaspari alerta na Folha e no Globo para a anarquia militar de Bolsonaro. "Ela contaminou o século 20 e agora é diferente, pior", escreve o colunista. "O risco de 'que a anarquia se instaure dentro das Forças' tornou-se visível com o general Pazuello subindo no carro de som de Bolsonaro, mas ele está aí desde 2018, quando o comandante do Exército sugeriu com seu famoso tuíte que o Supremo Tribunal Federal negasse o habeas corpus que impediria a prisão de Lula. Ele ecoava uma manifestação do comandante das tropas do Sul, general Jair Dantas Ribeiro, em 1962, forçando a realização de um plebiscito para enterrar o regime parlamentarista", aponta.

BRASIL NA GRINGA

O britânico Financial Times relata que o PIB do Brasil voltou aos níveis pré-pandêmicos. "Taxa de expansão econômica supera expectativas e estimula esperanças de recuperação mais rápida", informa. "Dados oficiais divulgados na terça-feira mostraram que a economia cresceu 1,2% em relação ao trimestre anterior, quando se expandiu 3,2%. Em comparação com o mesmo trimestre do ano passado, a economia cresceu 1%". De acordo com o correspondente Bryan Harris, os cientistas já deram o alarme sobre uma potencial terceira onda da Covid.

New York Times informa que um ataque cibernético interrompeu a produção em frigoríficos de carne da JBS. Todas as plantas de carne bovina da JBS nos Estados Unidos foram fechadas na terça-feira, e muitas de suas fábricas de suínos e aves foram afetadas, de acordo com um sindicato e postagens no Facebook destinadas aos funcionários. 

O assunto é a manchete principal do Wall Street Journal, que reporta que algumas das maiores fábricas de processamento de carne dos Estados Unidos reduziram as operações após o ataque, potencialmente atrasando negócios com compradores de carne, confinamento de gado e outros fornecedores. O inglês The Guardian informa que a Casa Branca entrou em contato com a Rússia após o ataque ao maior frigorífico do mundo. O ataque de ransomware à JBS, provavelmente por um grupo com sede na Rússia, interrompeu a produção de carne na América do Norte e na Austrália. O britânico Times e o alemão Frankfurter Allgemeine Zeitung também noticiam que o ataque é atribuído a hackers russos.

O NYT noticia que a OMS liberou a vacina fabricada pela empresa farmacêutica chinesa Sinovac para uso emergencial, abrindo caminho para que ela seja incluída na Covax, a iniciativa mundial difusa da qual os países de baixa renda dependem para a vacina. A decisão foi anunciada terça-feira, cerca de um mês após a agência autorizar outra vacina chinesa, da Sinopharm, para uso emergencial. O jornal diz que os ensaios da CoronaVac no Brasil e na Turquia apresentaram resultados diferentes, mas mostraram que a vacina protege contra a Covid-19.

O português Diário de Notícias relata que o Brasil voltou a se aproximar da marca das 2.500 mortes registradas em 24 horas. Agora são 465.199 óbitos desde o início da pandemia, informou o Ministério da Saúde. "O número de óbitos quase triplicou face às 860 vítimas mortais registadas na segunda-feira. Contudo, as autoridades de saúde justificam essa discrepância com a falta de recursos humanos para processar os dados ao fim de semana, com os números a acabarem por ser consolidados às terças-feiras", relata.

Sobre a Copa América, o francês Le Monde e o inglês The Guardian noticiam que o Brasil confirmou organização da competição internacional de futebol. O diário francês destaca que depois que Colômbia e Argentina se retiraram por motivos de saúde, a competição pode começar em 13 de junho, anunciou Bolsonaro. O jornal britânico traz cobertura crítica: 'Vergonhoso': Bolsonaro denunciado por sediar a Copa América em meio à pandemia. "Presidente do Brasil é acusado de manejar mal o surto da Covid", relata. "Torneio de futebol mudou-se da Colômbia e Argentina".

O alemão Frankfurter Allgemeine Zeitung diz que Bolsonaro julgou mal. "Esperava que seus compatriotas loucos pelo futebol o agradecessem por sediar a Copa América em um curto espaço de tempo. Mas a maioria acha esse torneio inadequado", diz o jornal. "Talvez Jair Bolsonaro tenha se lembrado das fotos de julho de 2019. Naquela época – antes da pandemia – o presidente brasileiro era festejado com a Seleção Nacional. A multidão no estádio lotado do Maracanã, no Rio de Janeiro, festejou na Copa América, o campeonato sul-americano, pelo primeiro título da Seleção em anos. O time e o presidente se presentearam com um troféu pela foto de torcida. A mensagem por trás disso: com ele, tempos melhores voltarão. Quase dois anos depois, o Brasil está mergulhado na pandemia. A fome e a pobreza devido à crise econômica que a acompanha são palpáveis e visíveis em todos os lugares". 

O francês Libération também adota uma cobertura negativa ao relatar que Bolsonaro fez provocações ao anunciar a Copa América no Brasil. "O presidente brasileiro gerou polêmica ao aceitar a realização da copa sul-americana de futebol em seu país em menos de duas semanas, enquanto é duramente criticado por sua gestão da epidemia de Covid-19, que ainda assola o país", informa.

O espanhol El País destaca a declaração de especialista: "A Copa América no Brasil é inaceitável para a saúde pública e pode acelerar a terceira onda". O epidemiologista brasileiro Bruno Gualano alerta para o risco à saúde de organizar um torneio continental quando a pandemia se agravar no país. "Nos últimos dias, o Brasil ultrapassou 460.000 mortes e 16,5 milhões de infectados pelo covid-19. Também detectou variantes das cepas brasileira e indiana em seu território, tem atrasos na vacinação e aumento da ocupação hospitalar. O cenário preocupa os especialistas, que prevêem a iminência de uma terceira onda ainda mais mortal do que os anteriores. Mesmo assim, o governo de Jair Bolsonaro, um negador da pandemia, comemora a decisão de sediar a Copa América", diz o texto. 

m artigo no El País, Eliane Brum diz que Bolsonaro declara guerra ao Brasil. "Encurralado, o presidente agita sua base na Amazônia e explora a violência contra os indígenas e a selva", opina. Ela denuncia: "Com 120 pedidos de impeachment de Bolsonaro apodrecendo no Congresso, a cada dia que a extrema direita permanece no poder a guerra interna piora. Todos os esforços visam neutralizar os ataques de Bolsonaro e seus seguidores contra o Brasil. Mineiros ilegais, ladrões de terras públicas e madeireiros são sua base de apoio na Amazônia. E o Bolsonaro é sua oportunidade de legalizar os crimes na selva". 

Os argentinos Clarín e Página 12 repercutem as declarações do presidente da CPI da Covid, senador Omar Aziz (PSD-AM), apontando que Bolsonaro atrasou a compra de vacinas para obter imunidade coletiva. "Temos evidências suficientes", disse. Aziz considera que já existem evidências suficientes de que o governo Bolsonaro agiu "deliberadamente", através de um "gabinete paralelo", para atrasar a compra de vacinas, apostando tudo na "imunidade do rebanho". "Não há mais nada a provar", disse. P12 reforça: Há evidências que Bolsonaro atrasou intencionalmente a compra de vacinas.

 

AS MANCHETES DO DIA

Folha: PIB sobe e volta ao pré-Covid, mas ganho não chega a pobres  

Estadão: PIB trimestral surpreende e previsão para ano chega a 5,5%  

O Globo: PIB cresce mais que esperado, mas desemprego ainda resiste

Valor: PIB forte leva a projeções de crescimento acima de 5%

El País (Brasil): Planalto omite de CPI agenda que mostraria aglomerações de Bolsonaro em Brasília

BBC Brasil: Em meio à exportação recorde de alimentos, seca e pandemia agravam fome no campo

UOL: OMS não foi consultada sobre decisão de realizar Copa América no Brasil

G1: Famílias contraem dívidas milionárias na busca por UTIs e tratamentos contra Covid

R7: Vacinação contra covid-19 no Brasil levaria quase um ano para terminar no ritmo atual

Luis Nassif: Exportações e câmbio explodem os preços ao produtor

Brasil 247: Aos risos, Bolsonaro comete novo crime, agride apresentadora da CNN e a chama de "quadrúpede"

DCM: Cai o comandante da PM de PE após ataque a manifestantes em Recife

Rede Brasil Atual: CPI da Covid: senadores desmontam versão farsesca de Nise Yamaguchi

Brasil de Fato: PM diz que arquiteto negro se suicidou em SP, mas amigos querem investigação da morte

Ópera Mundi: Breno Altman: Esquerda não precisa de aliança para atrair eleitor centrista

Fórum: Bolsonaro ataca apoiador que criticou Copa América: "fique em casa e desligue a televisão"

Poder 360: Covid: 54% dos internados em UTIs públicas morrem; nas particulares são 30%

Vi o Mundo: Senador Otto Alencar desmonta Nise Yamaguchi: ela não consegue discernir entre protozoário, que é alvo da cloroquina, e vírus — para a qual não tem eficácia

New York Times: Rivais de Nova York afiam ataques em corrida pela prefeitura

Washington Post: Relatório de chamadas para reformas no Instituto Militar da Virgínia

WSJ: Ataque de sequestro de dados atinge operações de carne da JBS nos EUA

Financial Times: Aumento da inflação na zona do euro aumenta as apostas para os formuladores de políticas do BCE

The Guardian: Plano de recuperação da Covid considerado "inadequado"

The Times: Nova esperança para 21 de junho, quando as mortes caírem a zero

Le Monde: Regionais, pré-visualização da presidencial

Libération: Feminicidas. A falha

El País: A Justiça deixa Gali partir apesar da ira de Marrocos

El Mundo: O tarifaço de luz nasce com recorde na faixa mais usada 

Clarín: Estoura outra polêmica devido à falta da vacina Pfizer na Argentina

Página 12: "Cabe a nós dizer Nunca Mais à manipulação do Poder Judiciário"

Granma: O Conselho de Ministros aprova a melhoria dos atores da economia cubana

Diário de Notícias: Enfermeiros fazem mais horas extra do que a lei permite e não recebem por todas

Público: Critério de risco da Covid-19 revistos para conselhos com menos população

The Moscow Times: Senadores russos adotam projeto de lei "extremista" que impediria os críticos das pesquisas

Frankfurter Allgemeine Zeitung: Perspectivas melhores

Süddeutsche Zeitung: Reforma de enfermagem. Por favor, mantenha as crianças fora da conta

Global Times: Xi: A China precisa de uma voz que corresponda à sua força nacional, seu status internacional

Diário do Povo: Xi enfatiza a melhoria da capacidade de comunicação internacional da China

Nesta terça-feira, o Brasil teve 2.346 óbitos causados pela Covid-19, elevando o total a 465.312.

 A aproximação do inverno, que começa oficialmente no próximo dia 21, traz para a Região Sul o risco de uma nova explosão da Covid-19 num momento em que os serviços de saúde estão em virtual colapso. O Paraná está com 95% de seus leitos de UTI para a doença ocupados. Em Curitiba, onde a ocupação é de 94%, somente os serviços essenciais estão autorizados a funcionar. Segundo especialistas, durante o inverno as pessoas tendem a se concentrar mais em lugares fechados, aumentando a chance de contaminação. (Globo)

Nesta terça-feira, o Brasil teve 2.346 óbitos causados pela Covid-19, elevando o total a 465.312. A média móvel de mortes em sete dias foi de 1.870, marcando a quinta alta consecutiva. Na comparação com os 14 dias anteriores ainda há uma redução de 4%, mas isso indica estabilidade. (G1)

A Organização Mundial da Saúde (OMS) aprovou ontem o uso emergencial para maiores de 18 anos da CoronaVac, vacina desenvolvida pela chinesa SinoVac e fabricada no Brasil pelo Instituto Butantan. Com isso, o imunizante poderá ser usado na iniciativa Covax, que busca ampliar a distribuição de vacinas pelo mundo. Um benefício indireto para os brasileiros é que, com o reconhecimento pela instituição internacional, pessoas imunizadas com a CoronaVac sejam admitidas em áreas com barreiras sanitárias, como a União Europeia.  (UOL)

Também ontem, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) assinou com a AstraZeneca o contrato de transferência de tecnologia para produzir no Brasil a matéria prima da vacina desenvolvida pelo laboratório britânico. Hoje todo o material é importado, principalmente da China. (Folha)

E chegou na noite de ontem a primeira das três remessas de vacinas da Pfizer prometidas para esta semana. O lote de 936 mil doses foi entregue no aeroporto de Viracopos, em Campinas (SP). (G1)




O Congresso derrubou na noite de ontem o veto do presidente Jair Bolsonaro ao fornecimento de internet gratuita para alunos e professores da educação básica pública durante a pandemia. A estimativa é que a medida, idealizada para facilitar o ensino remoto, beneficie 18 milhões de estudantes e 1,5 milhão de professores. (Globo)




A China confirmou nesta terça-feira o primeiro caso de contágio em um ser humano da gripe aviária H10N3. O paciente é um homem de 41 anos de Jiangsu, no leste do país. Segundo a FAO, órgão da ONU para agricultura e alimentação, esse vírus é pouco comum, enquanto o governo chinês afirma que o risco de propagação entre pessoas é baixo. (G1)




O Papa Francisco anunciou ontem uma das mais abrangentes reformas do Código de Direito Canônico, a lei da Igreja Católica. Passam a ser crimes corrupção de menores e posse de pornografia infantil, por exemplo, enquanto a prática de fraudes e a ordenação de mulheres recebem agora punições maiores. Ao anunciar a revisão, a maior em quase 40 anos, o Pontífice cobrou responsabilidades de bispos na aplicação dessas leis. (CNN Brasil)

Bolsonaro dobra a aposta: Pazuello no Planalto e Copa América no Brasil

 A despeito do recrudescimento da Covid-19 e todas as críticas, o presidente Jair Bolsonaro confirmou oficialmente ontem que a Copa América vai acontecer no Brasil, entre os dias 13 de junho e 30 de julho. Além do Distrito Federal, primeira sede escolhida, Rio de Janeiro, Goiás e Mato Grosso, todos estados alinhados com o Planalto, se dispuseram a receber partidas. Confira a situação em cada estado. (Globo)

As críticas vêm de todos os lados. O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), considera a Copa América inoportuna. “Ela podia ter sido postergada para o final do ano, para o começo do ano que vem, ou até para o ano que vem”, disse ele. Em ofício aos governadores, o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) afirma que o evento é “absolutamente desaconselhável” e pode agravar a epidemia no país. E o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), que cogitava aceitar jogos em público, voltou atrás e vetou partidas no estado. (Folha)

Enquanto isso... O ministro do STF Ricardo Lewandowski deu cinco dias para o Executivo explicar os detalhes sobre a realização do torneio no Brasil. Ele é relator de uma ação movida pelo PT no Supremo contra o evento. (Poder360)




O general Eduardo Pazuello, ex-ministro da Saúde, virou secretário de Estudos Estratégicos da Secretaria Especial de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, o que engordará em R$ 16.944,90 sua renda mensal. A nomeação acontece na semana em que o comandante do Exército, general Paulo Sérgio Nogueira, tem de decidir a punição de Pazuello por violar as leis das Forças Armadas ao participar de ato político com Jair Bolsonaro no Rio. (Estadão)

Malu Gaspar: “O Alto Comando do Exército realiza hoje uma reunião virtual que vai discutir a crise causada pela participação de Pazuello na manifestação de apoio a Bolsonaro. Os generais de quatro estrelas estão indignados com a nomeação de Pazuello para um cargo no Planalto. Foram pegos de surpresa, assim como o comandante Paulo Sérgio, e se consideram traídos por Bolsonaro e pelos também generais e ministros Luis Eduardo Ramos, da Casa Civil, e Walter Braga Netto, da Defesa.” (Globo)




Num dos depoimentos mais tensos e confusos à CPI da pandemia, a médica Nise Yamaguchi negou que o governo tivesse elaborado um decreto para incluir na bula da cloroquina a indicação para Covid-19 e que houvesse um “gabinete paralelo” que aconselhasse Jair Bolsonaro na condução da pandemia à revelia do ministério da Saúde. Ao tentar comprovar suas negativas, porém, ela fez o contrário. Apresentou uma troca de mensagens na qual ela recebia a minuta de um decreto sobre a prescrição de cloroquina e desaconselhava a publicação para “não expor o presidente” e confirmou ter feito parte das reuniões de um “conselho independente” e se encontrado com o empresário Carlos Wizard e com Arthur Weintraub, supostos integrantes do “gabinete paralelo”. (UOL)

A sessão foi tensa. Quando Yamaguchi comparou tratamentos precoces sem eficácia às vacinas, o presidente da comissão, senador Omar Aziz (PSD-AM), a interrompeu. “Tem que vacinar todos os brasileiros, pelo amor de Deus! Todos os brasileiros precisam de duas vacinas. Duas! Não acreditem nela. A vacina salva!”, exclamou. Em outro momento, o médico e senador Otto Alencar (PSD-BA) questionou a oncologista sobre conceitos básicos de infectologia, e ela não respondeu. Em seguida, o parlamentar apontou a irresponsabilidade da prescrição de cloroquina a qualquer paciente, sem checagem de seu histórico cardíaco. (Globo)

E confira o placar entre o falso e o verdadeiro no depoimento da médica pela checagem da Agência Lupa. Alerta de spoiler: falso ganha de goleada. (Folha)




O comandante da PM de Pernambuco, Vanildo Maranhão, entregou o cargo ao governador Paulo Câmara (PSB) ontem, três dias depois de uma manifestação pacífica contra Bolsonaro no Recife ser dispersada com requintes de violência pela tropa de choque. (Jornal do Commercio)

Dois dias antes da exibição de violência da PM, o Ministério Público alertou três secretários do governo sobre o risco de truculência e a necessidade de orientar a ação dos policiais. A informação faz parte de um inquérito aberto pelo próprio MP para apurar a responsabilidade pela repressão. (Folha)

Igor Gielow: “Episódios em que policiais militares abusaram de suas funções para fazer valer posições favoráveis a Jair Bolsonaro acenderam o sinal de alerta entre líderes políticos acerca da tática do presidente para o ano eleitoral de 2022. Como é notório, Bolsonaro e seus filhos são apoiadores históricos dos estratos inferiores das corporações militares e policiais.” (Folha)

Octavio Guedes: “Em guerra com os governadores há mais de um ano, Bolsonaro encomendou uma pesquisa nacional sobre a qualidade de vida de todos os policiais brasileiros. O Ministério da Justiça colocará à disposição dos profissionais de segurança, entre eles policiais militares e policiais civis dos 26 estados e do Distrito Federal, um questionário que abordará questões salariais e de moradia, entre outros pontos. Governadores estão preocupados com uso político que o presidente Bolsonaro fará com os resultados. ‘Vem coisa por aí’, resumiu um deles. ‘Preocupante. Vamos monitorar’, anunciou outro.” (G1)




Meio em vídeo. Por mais que o governo negue, as manifestações do dia 29 contra a má gestão da pandemia e pedir por vacinas e pelo impeachment de Bolsonaro foram grandes, especialmente para um tempo de pandemia. No Conversas com o Meio desta semana, o editor Pedro Doria discutiu os efeitos desses atos com três especialistas: Marco Ruediger, diretor de Análises de Políticas Públicas da DAPP-FGV, Ricardo Rangel, analista político e colunista de Veja, e Orlando Thomé, estrategista eleitoral e idealizador do Foca na Estratégia. Confira no YouTube.




O relator do processo contra a deputada Flordelis (PSD-RJ) no Conselho de Ética da Câmara, Alexandre Leite (DEM-SP), recomendou que ela tenha o mandato cassado por quebra do decoro parlamentar. Ela é acusada de ser a mandante do assassinato do marido, o pastor Anderson do Carmo, em junho de 2019. (Poder360)

Iván Duque: “Não vou aceitar que ninguém sangre a Colômbia até a morte”

 

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EL PAÍS entrevista o presidente da nação latino-americana. “Hoje foi a nossa vez, mas a explosão colombiana se repetirá em muitos lugares do mundo”

Peru, país com mais mortos por 100.000 habitantes

 

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Revisão feita por especialistas eleva de 68.000 para 180.000 o número de vítimas. Grupo incluiu novos critérios para confirmar a doença

CPI enfrenta o dilema de dar voz aos negacionistas da pandemia

 


O Palácio do Planalto se recusou a repassar à CPI da Pandemia informações sobre a agenda do presidente Jair Bolsonaro no Distrito Federal desde o dia 1º de março de 2020, quando o coronavírus passou a se alastrar pelo Brasil. Com a negativa, sob a justificativa de que eram compromissos "privados", o Governo quer ao menos dificultar que os senadores provem que o mandatário promoveu aglomerações mesmo nas fases mais restritas de circulação, conta o repórter Afonso Benites. Já a repórter Joana Oliveira analisa o depoimento da médica Nise Yamaguchi, ferrenha defensora da ineficaz cloroquina contra a covid-19. A CPI se viu ante o dilema de dar palco ao negacionismo da crise sanitária enquanto a médica repetia afirmações sem lastro científico.

Nesta terça, o presidente Jair Bolsonaro confirmou que o Brasil vai, sim, sediar a Copa América. Os riscos que o Brasil assume ao ser anfitrião do evento é um dos temas do oitavo episódio do podcast Diário do front, de Miguel Nicolelis. Para o neurocientista trata-se de uma perigosa estratégia diversionista: “Nero incendeia Roma tropical e autoriza futebol no Coliseu.” O cientista fala ainda sobre a variante indiana no Brasil e a detecção de casos de mucormicose. O acesso é grátis. Compartilhe com seus amigos e familiares.

Também nesta edição, uma análise do crescimento do PIB no primeiro trimestre de 2021, divulgado pelo IBGE nesta terça. Apesar de os dados apontarem para um avanço de 1,2%, há questões que assombram o futuro econômico do país. A repórter Heloísa Mendonça explica que a euforia com os resultados que tomou conta do mercado é refreada pelos desafios impostos pela má gestão da pandemia, atrasos na vacinação, pelo alto nível de desemprego e uma ameaça nova: a crise energética.

Leia também uma entrevista exclusiva do EL PAÍS com o presidente da Colômbia, Iván Duque. Da sede do Governo colombiano, o mandatário afirma que governa um país em chamas e sabe que não é possível apontar uma data para o fim da maior revolta popular dos últimos 70 anos. Duque falou a Jan Martínez Ahrens, diretor do jornal nas Américas, sobre a crise econômica, política e social e alerta: “Hoje foi a nossa vez, mas a explosão colombiana se repetirá em muitos lugares do mundo.”

Para começar a clima de feriado, um pouco mais sobre a escritora Fran Lebowitz. Conhecida por conferências e declarações midiáticas, Lebowitz foi catapultada à fama mundial graças à série documental Faz de conta que NY é uma cidade, dirigida por Martin Scorsese. O repórter Álex Vicente conversou com a escritora sobre a vida e projetos futuros, como o seu novo livro —Um dia qualquer em Nova York —, editado a partir de velhos ensaios humorísticos e que chega às livrarias nesta quarta — mas ainda sem previsão de lançamento no Brasil. “Sou uma pessoa bastante imatura. Sinto falta desse momento da minha vida em que não tinha que pagar impostos”, diz a escritora.


Planalto omite da CPI agenda que mostraria aglomerações em Brasília
Planalto omite da CPI agenda que mostraria aglomerações em Brasília
Senadores buscam saber quantas vezes Bolsonaro circulou pela capital e encontrou apoiadores. Governo diz que saídas foram de caráter privado
Comissão enfrenta dilema de dar voz ao negacionismo da pandemia
Comissão enfrenta dilema de dar voz ao negacionismo da pandemia
Em depoimento nesta terça, a médica Nise Yamaguchi não trouxe evidências científicas sobre cloroquina e insistiu na defesa do “tratamento precoce”
Podcast | Miguel Nicolelis: Copa Coronavírus para toda a América
No oitavo episódio de ‘Diário do front’, o neurocientista critica a decisão do Governo Bolsonaro de sediar o evento do futebol continental

terça-feira, 1 de junho de 2021

Lula pode liderar uma geringonça à brasileira

 Lula pode liderar uma geringonça à brasileira

Nos estados do Paraná e do Rio de Janeiro, o centro e a esquerda O risco de Bolsonaro capitalizar protesto

Presidente da República é ao mesmo tempo maior causa e principal risco das manifestações

Por Maria Cristina Fernandes | Valor

 

Nos Estados Unidos, o "Black Lives Matter" uniu os jovens, os moderados do Partido Democrata e arrancou até um pedido de desculpas e a solidariedade do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas. No Chile, as manifestações de rua ensejaram uma Constituinte com diversidade inédita e, finalmente, na Colômbia as pessoas foram às ruas contra a "boiada" de uma reforma tributária regressiva. Tudo isso em plena pandemia. 

Os eventos ocorridos nos três países já seriam precedentes suficientes para a manifestação que aconteceu no sábado em mais de 200 cidades brasileiras. Em nenhum daqueles países houve mais motivos para protestos do que hoje os há no Brasil. Nenhum deles, porém, é governado por Jair Bolsonaro. 

No país em que havia um congênere, Donald Trump, o processo eleitoral já em curso canalizou a blindagem em defesa da manifestação. No Brasil, o presidente da República é ao mesmo tempo a causa maior e o principal fator de risco da onda de manifestações de oposição que ora se inicia. 

A adesão maior do que os organizadores imaginavam sugere que os protestos de sábado sejam apenas os primeiros de uma série. Já não há mais como colocar a pasta de volta no tubo, mas resta saber como a oposição vai se prevenir para evitar que o bolsonarismo seja o maior favorecido por esses eventos. 

Foi isso que aconteceu com a onda de manifestações de rua de 2013 para cá. É bem verdade que produziram grupos de renovação da política, mas o grande beneficiário do grito antissistema, de longe, foi o populismo digital de direita que desabrochou no impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff e, dois anos depois, encontrou no bolsonarismo seu berço esplêndido. 

Que o presidente use as manifestações do sábado para tentar se blindar contra o discurso de que ele, Jair Bolsonaro, é o maior provocador de aglomerações, é do jogo e já estava na conta. O risco maior está nos algoritmos do gabinete do ódio e na tensão hoje existente com as Forças Armadas. 

Foram esses algoritmos que transformaram o "#EleNão" da campanha eleitoral numa manifestação de mulheres lascivas contra Bolsonaro. Desta vez, o presidente já deu a deixa. Ao dizer que os protestos do sábado só não foram maiores porque "faltou erva", sugeriu que as ruas foram lotadas por maconheiros. O roteiro está pronto. Em breve vão encontrar fotos de jovens com cigarros de maconha, dizer que estavam nas manifestações e contrapô-los a postos de vacinação com cartazes de exaltação ao governo federal. "Não importa que seja 'fake'. É a pura verdade", reza a cartilha de Olavo de Carvalho. 

Basta ver como mentem os bolsonaristas na Comissão Parlamentar de Inquérito da Pandemia para atestar que a produção de "fatos alternativos" está de vento em popa. Tanto que lideranças mais calejadas como o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preferiram colocar as barbas de molho. Num sinal de que é cedo para apostar no que pode sair das ruas, Lula divulgou ontem imagens de encontros virtuais com governadores de seu partido para a discussão da vacinação nos Estados e da lotação dos hospitais. 

Por isso é cedo demais para dizer que o impeachment ficou mais próximo. A entrevista do presidente do PP, o senador Ciro Nogueira (PI), ao Valor, ontem, mostrou como o partido que comanda a Câmara tem sido beneficiário deste governo e não pretende mexer em jogo que está ganhando a um preço cada dia mais alto para o erário. Tampouco o procurador-geral da República, Augusto Aras, tem dado sinais de que esteja mais disposto a denunciar o presidente do que esteve ao longo desses 29 meses de incúria. 

Enquanto isso, a pós-verdade bolsonarista ruma para se blindar no Congresso, onde tramitam projetos que proíbem que as plataformas de rede social os cancelem, e conta com a modorrenta tramitação dos inquéritos das "fake news" no Supremo. Pró-ativo na denúncia contra o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, o relator do caso no STF, o ministro Alexandre de Moraes, parece mais sossegado na condução do inquérito que atinge o gabinete do ódio. 

O potencial de estrago dessa fábrica de notícias falsas se agiganta pelo momento de tensão nas relações com as Forças Armadas. Em Pernambuco, Estado em que houve a reação policial mais violenta contra manifestantes, cegando com balas de borracha duas pessoas que dela não participavam e jogando spray de pimenta contra a vereadora do PT, Liana Cirne, cruzam-se todas as esquinas do imponderável. 

O Estado é governado por um partido-chave na articulação da oposição, o PSB, e tem, como presidente local do PTB, o ex-coronel da Polícia Militar, Luiz Meira. Ex-comandante do Batalhão de Polícia Militar do Choque, Meira foi colocado no comando do partido por intervenção do presidente nacional, Roberto Jefferson, e atua em dobradinha com o ministro do Turismo, Gilson Machado, na oposição ao governo local. Há estrutura local, portanto, para amplificar o desgaste entre governador e PMs. 

O governador Paulo Câmara anunciou de imediato a apuração de responsabilidades e a indenização dos manifestantes feridos, mas é nos desdobramentos sobre a punição dos envolvidos que se verá a efetividade de seu poder sobre a Polícia Militar. Além de vídeos divulgados em blogs não oficiais da PM associando a manifestação ao comunismo, a associação local de cabos e soldados soltou nota atribuindo a "partidos de esquerda e supostos defensores das classes menos favorecidas" o apedrejamento de ônibus e o "pânico" causado na população. A nota repudia a punição dos PMs e diz que eles agiram para defender, inclusive, o Palácio do Campo das Princesas, sede do governo. 

A capacidade de Bolsonaro de incitar insatisfações entre policiais pôde ser medida pelo aumento concedido à Polícia Militar do Distrito Federal às vésperas do congelamento de salário dos servidores. O aumento à PM-DF, que está pendurada no Orçamento da União, deflagrou demandas de isonomia no país. 

A faísca no palheiro da Polícia Militar de Pernambuco é a combustão que o presidente da República precisa para embaralhar as cartas que hoje lhe são desfavoráveis na apuração, pelo Exército, das transgressões do general Pazuello. Baderna não é colocar um general de Exército num palanque de um presidente que nem partido tem, é um governador não ter comando de sua polícia. Mentira? Com certeza, mas a oposição ainda tem que se mostrar capaz de rebatê-la. 

https://valor.globo.com/politica/noticia/2021/06/01/o-risco-de-bolsonaro-capitalizar-protesto.ghtml