terça-feira, 14 de dezembro de 2021

Mensagem do editor

MEUS CAROS LEITORES E COLABORADORES, A PARTIR DE HOJE ENTRAMOS EM FERIAS COLETIVAS ATÉ O DIA 14 DE JANEIRO.

ESTA PAUSA LOGICAMENTO SERÁ SUSPENSA SE FATOS RELEVANTES OCORREREM E NECESSITAREM DE NOSSA PUBLICIZAÇÃO. 

TODOS OS ANOS FAZEMOS ISSO PORÉM ESTE EM ESPECIAL SE REVESTE DE MUDANÇAS DE ALGUNS PARCEIROS FUNDAMENTAIS NO NOSSO TRABALHO

DE COLETA DE INFORMAÇÕES. EL PAÍS HOJE DECIDIU POR SUA DESCONTINUIDADE EM PORTUGUES . A FUNDAÇÃO PERSEU ABRAMO REDUZIU SEU RITMO E O

CANAL MEIO ESTÁ PRIORIZANDO AS URGENCIAS POLITICAS.SENDO ASSIM ESTAREMOS SEMPRE ATENTOS ÁS EMERGENCIAS EM ESPECIAL AS LIGADAS Á PANDEMIA 

E VIOLAÇÕES DOS DIREITOS HUMANOS. O TWITTER, O INSTAGRAM E FACEBOOK CONTINUARÃO SEUS POSTS REGULARES.AGRADECEMOS A SUA FIDELIDADE E SEGUIMOS

NA LUTA.                                  

segunda-feira, 13 de dezembro de 2021

Fortes chuvas no fim de semana afetaram 70 mil pessoas no estado da Bahia e deixaram seis mil desabrigados

 

Entre sexta-feira e sábado, os EUA foram atravessados por fortes tempestades. Noventa pessoas morreram, 80 delas no estado de Kentucky. “É o maior tornado na história americana”, declarou o governador Andy Beshear, “se levarmos em conta o momento em que ele chegou à terra até se levantar novamente.” Seis estados foram atravessados pelos fortes ventos. Em um galpão gigante da Amazon, o teto entrou em colapso, matando seis pessoas. O epicentro da tragédia foi uma fábrica de velas que desabou. Nela trabalhavam mais de cem pessoas. Pelo menos quarenta se salvaram, mas as operações de resgate ainda estão em curso. Ao todo, quase oitenta mil ficaram sem luz. (New York Times)




Não foi só lá... Fortes chuvas no fim de semana afetaram 70 mil pessoas no estado da Bahia e deixaram seis mil desabrigados. A situação é mais grave no sul do estado e atingiu pesadamente polos turísticos como Porto Seguro e Ilhéus. No domingo, o governador Rui Costa (PT) e o presidente Jair Bolsonaro (PL) sobrevoaram a região, de helicóptero. Em voos separados e não concomitantes, naturalmente. (Correio)

Pois é... Bolsonaro usou a oportunidade para comparar a tragédia natural com o afastamento social. “Também tivemos muitas catástrofes ano passado quando muitos governadores, o pessoal da Bahia fechou todo o comércio e obrigou o povo a ficar em casa.” Rui Costa não deu muita trela — “Não tenho tempo para politicagem barata”. (Globo)

Em Minas Gerais a situação é igualmente grave. Segundo a Defesa Civil, 1.979 pessoas perderam suas casas por conta dos temporais e mais de nove mil ficaram desalojadas. Foram forçadas a deixar suas casas por conta das chuvas. (Estado de Minas)

As projeções feitas em agosto não se concretizaram e o volume de chuvas aumentou consideravelmente as reservas das principais usinas hidrelétricas do país. O cenário mais confortável na geração de energia hídrica fez a Aneel zerar a cobrança da bandeira tarifária para as famílias de baixa renda. A medida vale para cerca de 12 milhões de consumidores. O número pode chegar a mais de 25 milhões a partir de janeiro, quando começa o cadastro automático de novas famílias. Quem não tem direito à tarifa social, porém, continuará pagando a bandeira escassez hídrica, de R$ 14,20 a cada 100kWh consumidos. (Poder 360)




O premiê britânico Boris Johnson foi à TV alertar para uma onda de novos casos de Covid que as autoridades de saúde esperam ver no Reino Unido. “Temo que estejamos enfrentando uma emergência com a variante ômicron”, afirmou. O governo também vai acelerar a distribuição da terceira dose. Todos com mais de 30 anos já podem marcar online para receber a injeção. (BBC News)

No Brasil, de acordo com o Ministério da Saúde, até agora foram identificados onze casos da nova cepa. Cinco no estado de São Paulo, dois no Distrito Federal, outros dois no Rio Grande do Sul e ainda mais dois em Goiás. Ainda há três notificações sendo investigadas. (g1)

Passaporte da vacina será exigido para entrada no Brasi

 

O governo edita esta semana, talvez ainda nesta segunda-feira, uma portaria tornando obrigatória a apresentação do passaporte da vacina para entrada no Brasil. A decisão foi tomada no domingo em uma reunião interministerial convocada às pressas para correr atrás daquilo sobre o qual o Planalto não tinha mais controle. No sábado, o ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal, baixou uma liminar exigindo o passaporte. A medida já está em vigor desde então. (Metrópoles)

A decisão ainda pode ser alterada — após a liminar, a ministra Rosa Weber enviou o texto de Barroso para o plenário virtual. Os dez ministros poderão votar entre a zero hora de quarta-feira e 23h59 de quinta. A ordem foi dada em uma ação da Rede Sustentabilidade. A Anvisa já havia pedido exigência do passaporte para quem entra no Brasil, mas o Planalto resistia. (g1)

Aliás... O Ministério da Saúde concluiu, no domingo, a recuperação dos registros dos brasileiros vacinados contra a covid-19, “sem perda de informações”. O sistema havia sido atacado por um grupo hacker na madrugada de sexta-feira. (Poder 360)

De acordo com o ministro Marcelo Queiroga, o ConectSUS deve ser restabelecido até terça-feira e será novamente possível acessar a carteira de vacinação. (g1)




O ex-presidente Lula participou de uma grande cerimônia, na Praça de Maio em Buenos Aires, para celebrar a data da volta da democracia argentina e o segundo aniversário do governo de Alberto Fernández. Foi ovacionado pelo público. O governo de Jair Bolsonaro reagiu de forma intempestiva: cancelou as reuniões que seriam presenciais da cúpula de presidentes do Mercosul, que ocorreria em Brasília na próxima sexta-feira. Bolsonaro está incomodado com a repercussão das viagens internacionais de seu principal rival nas eleições do ano que vem. A cúpula continua mas será virtual. O Planalto explica que a suspensão ocorre por sua profunda preocupação com a covid. (El País)

De Rui Falcão, tradicional liderança petista... “Em uma campanha que precisa de aguerrimento, você vai botar um anestesista? O cara é um gelo.” Ainda há resistência, dentro do PT, à presença do ex-governador paulista Geraldo Alckmin como vice na chapa de Lula à presidência. (Globo)

Enquanto isso... Tanto Merval Pereira, no Globo, quanto Claudio Dantas, no Antagonista, sugerem que está próximo o anúncio de que a União Brasil vai se aliar ao Podemos, partido que lançará Sergio Moro à presidência. O ex-juiz gostaria de uma mulher ligada ao mercado como vice — ela se filiaria à União. A sigla, que reúne DEM e PSL, terá à disposição a maior verba dentre os partidos no pleito de 2022, graças ao tamanho de sua bancada: R$ 320 milhões no fundo eleitoral e mais R$ 138 milhões de fundo partidário. Tem também entre os filiados 554 prefeitos, estrutura suficiente para dar capilaridade na campanha.

Míriam Leitão: “O problema em torno de Sergio Moro é o quase nada que se sabe sobre suas ideias em várias áreas. Nos 16 meses que ficou no Ministério da Justiça, Moro barrou demarcações de terras indígenas, mandou o fracassado pacote anticrime para o Congresso, embutindo nele o excludente de ilicitude, apoiou indiretamente um motim de policiais no Ceará e abonou os sinais de desvios éticos no governo Bolsonaro, quando começaram a surgir. Esses são os fatos. Moro não pode ser idealizado. Ele precisa, na campanha, definir suas ideias e propostas. Ter escolhido como conselheiro um bom economista como Affonso Celso Pastore é bom, mas está longe de ser suficiente. Ele, em muitas áreas, é uma página em branco e precisa preenchê-la. Para o bem ou para o mal, os outros candidatos são pessoas com ideias conhecidas.” (Globo)




Para efeitos da agenda de reformas, não é só o ano que está acabando, mas a Legislatura. De olho na campanha para a reeleição, Executivo e Legislativo admitem que a última matéria importante a ser votada até o pleito de outubro deve ser o Orçamento de 2021. Temas polêmicos, como as reformas Administrativa e Tributária, voltam para a gaveta. Esse “recesso informal” é comum em anos eleitorais, mas, como a campanha em si, foi antecipado. (Folha)




Guilherme Amado: “Um importante governador tem passado dias de aflição. Chegou a ele a informação de que em breve a Polícia Federal baterá à sua porta. Receoso, este governador passou a dormir alguns dias na casa de amigos. Não quer passar pela vergonha de ser levado pela polícia, com o passeio possivelmente filmado pelas câmeras de TV.” (Metrópoles)




Não é sugestão para ninguém — mas em Borba, município no estado do Amazonas, o prefeito Simão Peixoto (PP) e seu principal inimigo político, o ex-vereador Mirico, se enfrentaram num ringue de MMA na madrugada de domingo. Peixoto chegou a ficar atordoado com uma série de chutes, logo no primeiro round, que o levaram à lona. Ao fim, venceu por pontos. Sim: tem vídeo. (Metrópoles)




Alckmin deixa ostracismo, vira figura cobiçada e bagunça xadrez eleitoral

 

Alckmin deixa ostracismo, vira figura cobiçada e bagunça xadrez eleitoral
Alckmin deixa ostracismo, vira figura cobiçada e bagunça xadrez eleitoral
O tucano, prestes a se desfiliar do PSDB, depois de o partido lançar João Doria a presidenciável, considera ser vice na chapa do ex-presidente Lula

Barroso, do STF, ordena exigência do passaporte da vacina para viajantes

 

Barroso, do STF, ordena exigência do passaporte da vacina para viajantes
Barroso, do STF, ordena exigência do passaporte da vacina para viajantes
Decisão contraria posição do Governo federal e será enviada para referendo no plenário, mas pode começar a valer já nesta segunda-feira

Com visita ao Brasil, direita espanhola leva sua batalha para a América Latina

 

Com visita ao Brasil, direita espanhola leva sua batalha para a América Latina
Com visita ao Brasil, direita espanhola leva sua batalha para a América Latina
Líder do ultradireitista Vox, Santiago Abascal participa de evento promovido por Eduardo Bolsonaro. Agenda é reação à turnê de rival

Elon Musk quer fincar satélites nos céus brasileiros

 

Elon Musk, o visionário em quem todos acreditam, cria seu próprio capitalismo
Elon Musk, o visionário em quem todos acreditam, cria seu próprio capitalismo
Extravagâncias do homem mais rico do mundo não impedem a aposta do mercado na capacidade da Tesla de revolucionar a mobilidade
Dono da SpaceX busca fincar satélites nos céus brasileiros, um mercado pouco regulado
Multibilionário quer oferecer serviço de internet via satélites de baixa órbita para comunidades carentes. Ex-chefe da Anatel prega “cautela”
Dono da SpaceX busca fincar satélites nos céus brasileiros, um mercado pouco regulado

EL PAÍS






O multibilionário Elon Musk quer fincar raízes no Brasil —ou melhor, nos céus do país. O empresário, responsável pela marca de carros elétricos Tesla e pela empresa de aviação espacial SpaceX, planeja expandir por aqui seus satélites de baixa órbita (até 2.000 km da Terra), conhecidos como rede Starlink. O ministro das Comunicações, Fábio Faria, se reuniu com o empresário nos Estados Unidos para discutir a proposta de usar os satélites de Musk para levar internet sem fio a locais onde a fibra óptica e a telefonia móvel têm dificuldade de acessar. A expectativa é que a rede comece a operar no Brasil em 2022, informa Gil Alessi. Redes como essa são muitas vezes a única chance de acesso à internet em regiões remotas, mas essas “constelações” preocupam pela falta de regulação e por ameaçar as observações astronômicas.

A polêmica marca as empreitadas desse visionário com pinta de supervilão que inventou um novo tipo de capitalismo, “em que o valor das ações é determinado pelos lucros, mas também pelas fantasias”, nas palavras da historiadora Jill Lepore. O repórter Iker Seisdedos traça um perfil de Musk, o homem mais rico do planeta (com um patrimônio avaliado em 282,1 bilhões de dólares segundo dados da Bloomberg na quinta-feira passada) e mais bem posicionado nessa corrida rumo à terra de oportunidades.

Os olhos do mundo se voltam para o Brasil não só na tecnologia, mas também na política, e a polarização às vésperas do ano eleitoral atrai a ambição de todas as frentes. Do lado da esquerda, a presença do ex-presidente Lula em uma manifestação em Buenos Aires para comemorar a volta à democracia na Argentina e o segundo aniversário da gestão de Alberto Fernández tensionou as relações do país vizinho com o Governo de Jair Bolsonaro, possível rival do petista no pleito de 2022. O mal-estar é apontado como motivo de o Itamaraty ter suspendido o caráter presencial do encontro do Mercosul, na próxima sexta, escrevem Federico Rivas Molina e Afonso Benites. Lula apareceu ao lado de Fernández e sua vice, Cristina Kirchner, na tentativa do mandatário argentino de se cercar da velha esquerda sul-americana, explica Mar Cenenera. Já do lado da direita, quem sorriu para fotos em evento promovido pelo deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente, foi o espanhol Santiago Abascal. O líder do partido ultraconservador Vox veio ao Brasil na sexta, em uma agenda que escancara sua disputa com Pablo Casado, do Partido Popular hispânico, para ser referência da direita europeia na América Latina. O terreno da região voltou a se mostrar fértil para populistas, contam Elsa García de Blas e Miguel González.

Deve começar a valer nesta segunda a exigência do comprovante de vacinação contra a covid-19 para todos os viajantes que vierem ao Brasil do exterior. A previsão é que medida, ordenada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luis Roberto Barroso no sábado, entre em vigor mesmo antes de o plenário analisar a determinação em um julgamento virtual previsto para esta semana. A decisão contraria a posição o Governo Bolsonaro, que havia definido apenas uma quarentena de cinco dias para os passageiros. Segundo informa Diogo Magri, Barroso apontou "risco iminente" de o Brasil se tornar um destino antivacina. Também no sábado, o Estado de São Paulo confirmou seu quarto caso da nova variante ômicron, o primeiro de um paciente que não viajou para fora do Brasil. As autoridades sanitárias ainda investigam a origem do contágio, relata Elida Oliveira.

Na pandemia, o vazio aberto pelo confinamento aumentou a procura pelos pets. No país de 212 milhões de brasileiros, havia 144,3 milhões de animais de estimação em 2020, segundo o Instituto Pet Brasil (IPB), 4 milhões a mais do que em 2019. O aumento anual na pandemia é seis vezes maior do que o ocorrido entre 2018 e 2019. São bichanos que se tornam integrantes da família e alimentam uma indústria de produtos e serviços que deve faturar 49,9 bilhões de reais neste ano. A Petz, uma das maiores lojas do setor, aumentou sua rede em 40% neste ano (são 153 lojas, ao todo) e virou sensação na Bolsa de Valores. “Mudaram minha vida, porque estão do meu lado mesmo se o mundo está caindo”, comenta Fabiana Pazotto, de 30 anos, profissional de recursos humanos e tutora de Nala, uma cadela vira-lata, e Moana, um pastor alemão.



domingo, 12 de dezembro de 2021

Feriados prolongados em 2022 no Brasil: Veja quando a folga será esticada

 

Feriados prolongados em 2022 no Brasil: Veja quando a folga será esticada
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Brasileiros terão cinco chances de feriado prolongado no calendário nacional, mas só uma no segundo semestre. Confira as datas

Justiça britânica abre as portas à extradição de Assange para os EUA

 

Justiça britânica abre as portas à extradição de Assange para os EUA
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Cofundador do Wikileaks ainda poderá permanecer sob custódia do Reino Unido enquanto recorre da decisão

Brasil esquece promessas da COP26 e abre a porteira ao garimpo na Amazônia

 

Brasil esquece promessas da COP26 e abre a porteira ao garimpo na Amazônia
General Heleno autoriza exploração na região mais protegida da floresta. “O Governo levou um Brasil que não existe à COP26”, critica Greenpeace
Brasil esquece promessas da COP26 e abre a porteira ao garimpo na Amazônia

EL PAÍS






“Inaceitáveis”, definiu o ministro do Meio Ambiente, Joaquim Leite, ao comentar os dados sobre o aumento do desmatamento na Amazônia, o maior em 15 anos. Na esteira da COP26, a entrevista coletiva concedida por Leite ao lado do chanceler Carlos França na última semana de novembro, para responder sobre o aumento de 22% na área desmatada, marcou uma mudança no discurso ambiental do Governo Bolsonaro —de onde nunca tinha saído um único lamento sobre o assunto. Semanas depois de se dizerem “surpreendidos” pelos dados, no entanto, os condutores do Governo seguem agindo da mesma forma como nos últimos três anos. Neste momento, uma ação coordenada entre o Palácio do Planalto, a bancada ruralista no Congresso Nacional e mineradores faz quatro projetos de lei correrem a toda velocidade para alterar normas de proteção ambiental no país, conta Afonso Benites. Além disso, o braço militar da Gestão, refletido na figura do ministro do Gabinete de Segurança Institucional, o general Augusto Heleno, autorizou o início de projetos de exploração de ouro em sete áreas na região florestal mais protegida da Amazônia.

Mais ao sul do país, os quatro réus no caso do incêndio da boate Kiss foram condenados pelo tribunal do júri, por homicídio com dolo eventual, a penas que somam 78 anos de prisão. Seriam conduzidos à prisão logo após a leitura da sentença, mas um habeas corpus preventivo concedido a um dos acusados evitou que fossem imediatamente encarcerados. Ao final dos 10 dias de julgamento, o juiz Orlando Faccini Neto enfatizou a necessidade de penas para sinalizar que a sequência de erros que levou à tragédia não deve se repetir. “Esta vitória não é nossa, é da população. Que sirva de lição a alguns empresários, para que tomem tento e saibam que, se falharem, poderão ser punidos. Que sirva de exemplo para que esta tragédia da Kiss nunca mais se repita”, disse Flávio da Silva, um dos líderes da Associação de Familiares de Vítimas e Sobreviventes da Tragédia de Santa Maria, após o anúncio do veredito, relata Marcelo Soares.

Do mundo arqueológico, vem a notícia de uma crucificação. Ninguém sabe qual era o seu nome, por isso os arqueólogos o tratam pela fria denominação de Esqueleto 4926, um dos 48 corpos (sendo 5 de crianças) achados em novembro de 2017 durante a escavação de um terreno na localidade de Fenstanton, no condado de Cambridgeshire (Inglaterra), para a construção de um condomínio residencial. Agora, a revista British Archaeology revelou que essa pessoa foi crucificada há 1.900 anos e que inclusive conserva o prego que atravessou seu calcanhar direito, o que faz dessa, segundo os arqueólogos, “a melhor evidência física de uma crucificação no mundo romano”, escreve Vicente G. Olaya. Trata-se, além disso, de um dos escassos torturados que conservam a presilha metálica pontiaguda que atravessou seu pé, porque estas peças de ferro eram retiradas após a cruel morte do condenado, por se considerar que possuíam propriedades mágicas ou curativas.

Na pauta cultural, o avanço dos animes. Há um mês, a Netflix apresentou ao mundo sua adaptação do anime cult Cowboy Bebop, um western espacial com nuances jazzísticos exibido pela primeira vez em 1998. Está longe de ser um lançamento pontual: dias antes, a plataforma já havia apresentado o elenco para a adaptação de One Piece, um dos animes mais bem-sucedidos e antigos —no ar desde 1999. Embora as séries de animação japonesas sempre tenham estado por aí, inclusive mesmo antes de Os cavaleiros do zodíaco (1986), a aposta em levar às grandes audiências conteúdos relacionados aos animes se intensificou desde o confinamento pela pandemia, explica Raúl González. Em 2020, segundo dados da Netflix, mais de 120 milhões de lares viram algum conteúdo de anime nesta plataforma. No mesmo ano, a empresa se associou a quatro das mais importantes produtoras de animação —MAPPA, ANIMA & COMPANY, Science SARU e Studio Mir— para explorar novas histórias e formatos de entretenimento.



Lobista em pele de especialista

 



O que os jornais não te contaram.
 

Queridinho da imprensa, o economista Adriano Pires é a principal fonte para assuntos relacionados ao setor energético. Ele dá entrevistas – há duas décadas – para os principais veículos de imprensa e tem coluna fixa no Estadão e no Poder 360, além de escrever esporadicamente para outros jornais e sites especializados.

O que suas colunas e os jornalistas que o entrevistam com frequência não mencionam é que ele trabalha intensamente nos bastidores pelos interesses de empresas do setor de óleo e gás, principalmente a Comgás. Ou seja, é um lobista que, quando veste a roupa de especialista, advoga publicamente em benefício próprio.

A atuação de Pires para além das páginas da imprensa pode ser exemplificada na agenda que ele tem em Brasília. Quem parece sempre pronto a recebê-lo é o ministro de Minas e Energia, o almirante Bento Albuquerque, por exemplo. Foram 11 encontros oficiais desde que o militar assumiu o cargo, em 2019, de acordo com dados que obtive por meio da Lei de Acesso à Informação. Pode parecer pouco, mas o número se destaca quando comparado a quem o ministro não recebeu nesses quase três anos de governo. Juntas, a Associação Brasileira de Geração de Energia Limpa, a Associação Brasileira de Energia Eólica e a Associação Brasileira de Energia Solar, principais representantes do setor de energia renovável, por exemplo, tiveram nove encontros com Albuquerque desde sua posse – em três ocasiões, as reuniões foram coletivas. 

Com a crise hídrica e a necessidade de o país encontrar outras fontes energéticas, era de se esperar que o setor recebesse mais atenção do almirante. Em seu discurso na Cúpula de Líderes sobre o Clima, em abril de 2021, o próprio presidente Jair Bolsonaro garantiu que o Brasil iria zerar os índices de emissão de carbono até 2050, o que só é possível com o investimento em fontes de energia limpa. O problema é que o ministro que deveria cuidar dessa agenda prefere receber um lobista dos combustíveis fósseis.

Segundo um empresário com quem conversei e que preferiu não se identificar para evitar prejuízos profissionais, o Adriano Pires opera em "todo tipo de privatização, vantagem a particulares, defesa de interesses estrangeiros no setor elétrico e de petróleo". Embora não seja um crime, o lobby no Brasil não é regulamentado. Isso faz com que as negociatas não tenham transparência e nenhum tipo de controle social. Pior ainda vindo de alguém que ostenta na imprensa a imagem de um estudioso sem interesses financeiros em suas opiniões.

No LinkedIn, Pires se vende como profissional que "atua há mais de 30 anos na área de energia". Ele é sócio-fundador do Centro Brasileiro de Infraestrutura, o CBIE, uma empresa que oferece consultoria para os setores de eletricidade, óleo e gás, saneamento, combustíveis, biocombustíveis, açúcar e álcool. 

A maioria das reuniões entre Pires e Albuquerque ocorreram em 2019, no Rio de Janeiro, onde está a consultoria do economista e um gabinete do almirante. Em duas ocasiões, os encontros contaram com a presença de empresários, caso de uma reunião realizada em maio daquele ano entre o ministro, Pires e o executivo da Cosan, Luiz Guimarães. O grupo é dono, entre outras empresas, da Comgás, principal distribuidora de gás natural de São Paulo. 

As reuniões foram mais frequentes em 2019 porque, naquele ano, foi retomado o debate em torno da Lei do Gás. O projeto original é de 2013, mas havia sido arquivado e voltou à baila logo depois que Bento Albuquerque assumiu o Ministério de Minas e Energia, tramitando rapidamente. A nova legislação foi sancionada em abril de 2021.

Pires atuou com afinco por uma lei que beneficiasse a Comgás, empresa sobre a qual ele costuma escrever artigos favoráveis e que também seria cliente da sua consultoria, conforme fontes do setor me garantiram. Procurei Pires por telefone e WhatsApp, mas ele não respondeu meus contatos. Em um artigo publicado no site Poder 360 em 9 de abril de 2019, ele elogiou o estado de São Paulo por ter classificado o Subida da Serra, da Comgás, como um gasoduto de distribuição de gás, o que beneficia a empresa. Por outro lado, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, a ANP, órgão do governo federal, classificou o gasoduto como de transporte. 

O tipo de classificação do gasoduto faz diferença, porque a concessão para empresas de distribuição, ou seja, para a entrega do gás aos consumidores, é de competência dos estados; já a concessão para empresas de transporte de gás, que envolve uma operação mais complexa de conexão com fontes de suprimento, é de competência da União. 

Pires defendeu a classificação que beneficia a Comgás em um documento a que tive acesso. Ele foi elaborado por sua consultoria e apresentado em uma consulta pública ao governo de São Paulo. É de praxe, segundo os empresários com quem conversei, que as empresas contratem consultorias ou estudos para defender seus interesses em consultas públicas. O negócio milionário enfrenta resistência no setor, pois pode levar a Cosan a dominar o mercado de gás, impedindo a concorrência de outras empresas. 

No mesmo mês em que escreveu o artigo, o colunista se reuniu duas vezes com o ministro Albuquerque, nos dias 15 e 18 de abril. Um terceiro encontro aconteceu logo depois, em 13 de maio, dessa vez com a presença do executivo Guimarães, da Comgás. A pauta de todas as reuniões – "temas referentes ao setor energético" – pouco diz sobre o que de fato foi tratado. Pedi mais detalhes sobre o encontro ao ministério, que se limitou a informar que "foram tratados temas preparatórios concernentes ao setor energético". 

A Lei do Gás acabou não sendo tão favorável à Comgás quanto Pires gostaria e defendia em seus artigos, determinando a independência entre as empresas de produção, de transporte e de distribuição do gás natural. Mas a relação entre o ministro e o lobista se manteve.

Agora, os dois estão na linha de frente da defesa da energia nuclear como melhor estratégia para preservar os reservatórios das hidrelétricas, principalmente em períodos de escassez hídrica, como ocorre no Brasil atualmente. Sobre o lixo radioativo que a geração de energia nuclear produz, os altos custos e os riscos de acidentes, como o que aconteceu em Fukushima, no Japão, em 2011, eles desconversam. 

O lobista já escreveu que "o histórico de segurança da energia nuclear em comparação com os meios tradicionais de geração de eletricidade é reconfortante". E o ministro, que já foi diretor-geral de Desenvolvimento Nuclear e Tecnológico da Marinha e registrou ao menos 80 compromissos relacionados ao tema em sua agenda oficial desde que assumiu, afirmou, em entrevista de julho deste ano, que "a energia nuclear é muito importante para uma matriz elétrica mais equilibrada". 

Pires concorda. Em um artigo publicado no dia 27 de abril de 2021, ele afirmou que a energia nuclear tem papel importante no combate à mudança climática, mas as contribuições que ela "tem dado por décadas para reduzir as emissões globais" não são amplamente divulgadas, "como ocorre com as fontes de energia renováveis". O ideal, sugere Pires, seria investir na "termoeletricidade nuclear e a gás natural, que são as fontes mais limpas entre as fósseis". Falta saber se Pires tem algum cliente no setor. 

sábado, 11 de dezembro de 2021

Eu sabia, você sabia, agora temos evidências

 


Há alguns dias, escrevi nesta news sobre a bancada de dados, ou como prefiro, "bancada do like", uma frente no Congresso que se diz preocupada em discutir tecnologia e inovação, mas na prática atende aos interesses de lobistas das gigantes da área. Anteontem, publicamos uma nova reportagem sobre a ética deturpada das big techs, mais especificamente do Facebook. Tivemos acesso aos documentos vazados por Frances Haugen, ex-funcionária do império de Mark Zuckerberg, e vimos se materializar o que eu e você já sabíamos, mas antes não havia provas: a empresa sabe dos riscos das suas tecnologias e não só não trabalha para reduzir esses riscos como cria mecanismos de estímulo para que os usuários continuem colados na tela.

Os documentos, que incluem estudos contratados pelo Facebook (agora "Meta"), detalham como o design dos produtos e o modelo de negócio do grupo são a raiz do problema. Você já deve ter visto, no topo do seu perfil do Facebook, um convite para uma pesquisa da rede, em tese segura e que dura apenas alguns minutos, para que eles te conheçam melhor. Agora entendemos o que eles fazem com isso. 

O que teria um potencial revolucionário infelizmente é usado para estudar comportamentos de consumo que estimulam, por exemplo, a disseminação de desinformação, o racismo estrutural e a radicalização de discursos políticos. Há evidências nesses arquivos de que o Facebook sabe quantas semanas um usuário leva para se radicalizar seguindo posts recomendados – e por tabela se tornar um potencial polinizador de conteúdos polêmicos e engajadores.

Na matéria, que assino com os repórteres Débora Lopes e Paulo Victor Ribeiro, mostramos que o Facebook de fato se preocupa com a saúde mental dos usuários — mas faz isso para evitar que os insatisfeitos deixem de usar as plataformas do grupo. Ver tudo isso documentado na nossa frente foi um misto de assombramento e frisson: finalmente, o que eu venho apontando há anos e, nas matérias do TIB, desde 2018, está provado. 

Minha reportagem de estreia aqui, aliás, em junho de 2018, tinha como título "Facebook e Google investem contra fake news, mas são uma das causas do problema". À época, um consórcio de mais de 20 veículos brasileiros se uniu para combater a divulgação de notícias falsas, uma enxurrada que começou na eleição de Donald Trump com a Cambridge Analytica e teve reflexos no Brasil na traumática campanha eleitoral de Bolsonaro. Apesar de reconhecer a importância da iniciativa, fiz questão de marcar posição e apontei o contrassenso que era essa ação ser financiada pelo Google e pelo Facebook, que sempre vi como parte do problema. 

Fui vista como chata do rolê por alguns colegas jornalistas, mas não me arrependo: os documentos do Facebook revelados pela ex-funcionária que analisamos confirmam o que eu venho dizendo há mais de três anos: essas empresas não são boazinhas, não querem saber se o usuário está bem quando convidam para pesquisas. Elas são empresas que visam ao lucro e, como tal, fazem de tudo para obtê-lo. A matéria-prima que elas usam para isso é o seu tempo — e a sua saúde mental.

Se você ainda não leu a reportagem, te convido a ler, está no nosso site. É importante sabermos que nossa presença em redes sociais não é um simples passatempo: envolve dinheiro grande e riscos, assim como outras indústrias. 

Quero também que você lembre que esses são alertas que fazemos desde o início do Intercept: hoje somos um dos veículos mais críticos à cultura digital predatória em que vivemos. E uma conclusão óbvia, mas o óbvio também precisa ser dito: não é possível fazer isso com o dinheiro do Google, do Facebook, da Amazon ou do iFood. Por mais que eles já tenham apoiado iniciativas positivas e importantes, não é preciso ser especialista para saber que tudo que eles não querem são investigações e denúncias sérias sobre seus impérios. Bom, nós queremos.



Abraço,

Tatiana Dias
Editora Sênior